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COMÉRCIO DA BAHIA CRESCE 7,8% E SE TORNA CARRO CHEFE DO PIB ESTADUAL

Matheus Souza - 21/06/2024 18:59 - Atualizado 21/06/2024

Num momento de dificuldades do agronegócio e indústria, particularmente nas exportações, o comércio da Bahia confirma as previsões e se consolida como o motor principal do crescimento da economia estadual em 2024. De acordo com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais, que é vinculada ao governo baiano, as vendas do setor cresceram 7,8% em abril comparado ao mesmo mês de 2023. No primeiro quadrimestre, a alta acumulada é de 10,5%.

Os dados da SEI são baseados na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A análise da superintendência mostra que, apesar da retração na passagem de março para abril (1,2%), o varejo segue firme e forte no mercado estadual. O resultado de abril foi o sexto melhor entre as áreas pesquisadas pelo IBGE e superou com folga a média nacional (2,2%). Foi o 18º mês consecutivo de incremento nos negócios do comércio da Bahia, no comparativo anual.

A manutenção dessa curva, pelo equivalente a 1,5 ano, mostra uma reação sustentada do segmento no estado e uma performance superior à do país. No acumulado janeiro/abril de 2024, por exemplo, a taxa de crescimento no varejo baiano foi mais que o dobro da nacional (4,9%).

Comércio da Bahia: entenda crescimento nas vendas

Sobre o salto nas vendas do comércio da Bahia em 2024, a analista da área na SEI, Ana Carolina Gouveia, afirma, que, “apesar da elevação dos preços, fatores positivos como juros mais baixos, mercado de trabalho mais forte e transferências governamentais animaram o setor”.

Nesse cenário, a renda se recompõe, o humor do freguês melhora e os negócios do varejo crescem. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getúlio Vargas comprova que, na média em todo o país, o cliente está mais otimista e disposto a gastar. O indicador subiu 1,9 ponto em abril, passando para 93,2 pontos.

Ana Carolina Gouveia diz que essa evolução do ICC se deve à influência das expectativas do consumidor para os próximos meses.

Situação da economia favorece comércio da Bahia

Não é difícil compreender as razões por trás desse incremento do comércio da Bahia acima da média nacional.

Salvador, juntamente com Recife (PE), estão entre as capitais nordestinas que vêm apresentando queda significativa no desemprego, depois de liderarem nacionalmente o fechamento de postos de trabalho nos últimos anos. Os níveis atuais ainda são elevados, mas bastante inferiores aos registrados até o início do ano passado.

Os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam a Bahia como o campeão do Nordeste na geração de empregos formais no primeiro quadrimestre de 2024, com 36.267 novas contratações no período.

Além disso, a inflação desacelerou, os juros tiveram um ciclo continuado de redução e houve, este ano, aumento real do salário mínimo (3%).

Nesse momento positivo para o varejo baiano, que ganhou força no ano passado, a cereja do bolo é o Desenrola Brasil, o programa federal de renegociação de dívidas de pessoas físicas e jurídicas, cujo objetivo é a redução do endividamento e também do número de consumidores sem acesso a crédito (negativados).

Em março passado, a partir desse conjunto de fatores, a SEI – ao divulgar suas projeções para a economia estadual em 2024 – já apontava o setor de serviços – particularmente o comércio como o carro-chefe do crescimento econômico da Bahia este ano.

PIB do trimestre evidencia protagonismo do comércio da Bahia

Os números do Produto Interno Bruto baiano no primeiro semestre de 2024 mostram que o panorama previsto em março se confirma até o momento.

O PIB estadual, puxado principalmente por uma alta de 6,1% no comércio da Bahia, cresceu 2,9% de janeiro a março frente ao mesmo período de 2023, totalizando R$ 122,9 bilhões.

“Constatamos o crescimento da renda média do trabalhador [devido a queda nos juros e desaceleração da inflação]. Isto, associado aos efeitos do programa Desenrola, que recolocou no mercado boa parcela de consumidores, influenciou esse desempenho do varejo, setor com o maior impacto no PIB”, explica o diretor de Indicadores e Estatística da SEI, Armando Castro.

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