A ação da Casas Bahia (BHIA3) opera em forte alta e lidera os avanços do Ibovespa, após a companhia anunciar acordo com seus principais credores para uma recuperação extrajudicial. Por volta de 12h45, a ação ON da varejista subia 18,38%, a R$ 6,44, enquanto o Ibovespa avançava 0,19%, aos 126.771,23 pontos. A companhia informou na noite de ontem que vai reperfilar a dívida com seus principais credores, Banco do Brasil e Bradesco. Com isso, até 2027 a companhia deixa de desembolsar R$ 4,3 bilhões de caixa.
Para o Bradesco BBI, o acordo “dá um fôlego importante ao Grupo Casas Bahia no curto e médio prazo, reduzindo riscos envolvendo sua liquidez”. A XP opinou em relatório que a recuperação extrajudicial é um passo importante para a reestruturação da companhia, e que a nova estrutura da dívida deixa a empresa em posição mais confortável para executar seus planos operacionais.
O J.P. Morgan afirmou em relatório que, embora o acordo reestruture de maneira substancial a dívida da companhia, ele também cria um risco de diluição da participação dos acionistas atuais. O Citi, por sua vez, diz que o efeito do plano em termos de geração de caixa vai depender da evolução operacional. Ricardo Franklin, presidente da Casas Bahia, disse em teleconferência nesta segunda-feira que a companhia tem consciência dos desafios que ainda restam pela frente. “Ninguém acredita que será fácil”, afirmou ele.
Para o executivo, porém, a empresa ganha “mais fôlego para assimilar problemas ‘macro’ e demanda fraca”. As prioridades da rede para tentar recuperar resultado incluem melhora na margem bruta, aumento da penetração de serviços na loja e ganho na participação de mercado. Outras metas para a empresa incluem a redução de despesa financeira com menor parcelamento sem juros e venda maior em Pix.
Foto: Luis Ushirobira/Valor