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JOSÉ MACIEL – O TRABALHO DOS ADIDOS AGRÍCOLAS

SX - 14/06/2023 06:00 - Atualizado 15/06/2023
Na última coluna formulamos a ideia de que uma das formas de continuar aumentando e diversificando nosso comércio exterior agrícola consiste na execução de um trabalho de “inteligência” comercial e econômica, e uma das formas de viabilizar este trabalho seria a distribuição  de adidos agrícolas nas embaixadas brasileiras  no maior número possível de países de nosso interesse comercial.
Hoje, vamos conhecer um pouco a respeito das características e atribuições deste cargo e dar alguns exemplos em 2 países onde temos adidos designados.
A criação do cargo e a atuação dos adidos agrícolas estão  regulamentados no Decreto 6464, de 27 de maio de  2008, editado no governo Lula, tendo no comando do ministério da agricultura o ministro Reynold Stephanes.
Segundo este diploma Legal, o Adido Agrícola exercerá  missão permanente de assessoramento em assuntos agrícolas junto às nossas Missões Diplomáticas. Os requisitos para ocupar o cargo são:  ser brasileiro nato ou naturalizado; ser servidor público do quadro efetivo do ministério da agricultura há pelo menos  4 anos; ter curso superior completo, de preferência  em áreas relacionadas ao agronegócio; atestar proficiência em idioma estrangeiro; e ter concluído curso preparatório em missão de assessoramento em assuntos agrícolas, organizado pelo Instituto Rio Branco, em colaboração com o ministério da agricultura.
Inicialmente, foram escolhidos 8 países para alocar os adidos, mas  o quadro atualmente já contabiliza quase 30 profissionais  em países considerados estratégicos para o nosso comércio exterior agrícola.
Prospectar  novas oportunidades de mercado para os produtos do agronegócio brasileiro, buscar melhores condições de acesso aos mercados externos, coletar, analisar e disseminar informações e tendências dos mercados e comércio, e articular ações de apoio à promoção dos nossos produtos no exterior são algumas das atribuições do ocupante do cargo aqui  analisado. Ademais, produzir informaçãoes sobre políticas agrícolas e sanitárias dos países importadores ou concorrentes; participar de reuniões em eventos de interesse do agro brasileiro e de sua organização; indicar e facilitar contatos com especialistas, importadores e autoridades locais; e elaborar relatórios  periódicos  a serem submetidos à chefia da Missão Diplomática complementam o universo de atribuição dos adidos.
Feitas essas considerações iniciais , vamos dar dois exemplos de atuação dos adidos em países de nosso interesse: a China e a Austrália.
Por ser o nosso maior mercado, perfazendo quase 40% de nossas exportações agropecuárias, o adido brasileiro local ocupa função estratégica no esforço para aumentar e diversificar nossas exportações para esse país asiático. Além dos produtos já exportados, como soja, milho, algodão e carnes, dentre outros, esforços estão em curso  para diversificar a pauta , inluindo crustáceos, farinhas animais, frutas e outros itens. Já há, por exemplo, acordo para exportar melão para o mercado chinês. Outras frutas estão sendo objeto de negociações.
Na Austrália, a atuação na conquista de mercados não parece tão promissora, pois trata-se de um país com diversidade climática e agronegócio dinâmico, com forte tradição exportadora, especialmente no abastecimentos dos mercados dos países asiáticos. Eles exportam grãos, como trigo e milho, carnes bovina e de ovinos, sendo que as exportações representam algo como 70% do valor  da produção agropecuária. Detentora de grande experiência nas áreas de barreiras técnicas ao comércio e de negociação de acordos de livre comércio, a adida brasileira na Austrália, Daniela Aviani, acredita que terá oportunidade de para trabalhar não só  para tentar abrir nichos de mercados específicos, mas também de fazer benchmarking, já que a Austrália é um grande concorrente do Brasil nos mercados asiáticos. É preciso saber se os australianos estão mantendo sua força no abastecimento desses países ou se estão perdendo parte dessa força. A Indonésia, tradicionalmente abastecida em grãos  e carnes pela Austrália, tem habilitado um número crescente  de frigoríficos brasileiros e comprado quantidades crescentes de trigo argentino . Isso significa que a a agricultura da  Austrália está perdendo um pouco do seu dinamismo, especialmente nos mercados asiáticos? Não sabemos.  O trabalho da adida  e de outros analistas pode nos dar essa resposta, importante para o agro brasileiro.
(1)Consultor Legislativo e doutor em Economia pela USP.  E-mail:  [email protected]

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