De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), vinculado ao Governo do Espírito Santo, a Bahia possui 7,4 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, colocando o estado no oitavo lugar no ranking nacional de pessoas pobres.
Ainda segundo a pesquisa, mais da metade (51,6%) da população baiana sobrevive com menos de R$665,02 por mês. Esse valor serve apenas para comprar uma única cesta básica, se for levado em conta o custo da cesta em Salvador, de acordo com o Departamento de Estudos Econômicos (Dieese). O IJSN utilizou informações de 2021 e 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de de Geografia e Estatística (IBGE).
Os critérios de definição de pobreza e extrema pobreza são os mesmos utilizados pelo Banco Mundial. As taxas são de US$6,85 e US$2,15 per capita/dia, respectivamente. Na prática, são consideradas pessoas pobres as que recebem até R$665,02 mensais e, extremamente pobres, R$208,73. Os reflexos da pandemia de covid-19 intensificaram as desigualdades econômicas na Bahia.
Em 2021, a pobreza atingiu o maior nível em dez anos, chegando a marca de 8,4 milhões de pessoas (56,6% da população). Em 2022, 717 mil pessoas deixaram a linha da pobreza, após o Auxilio Brasil de R$600 e a expansão de Programas de Transferência Condicionada de Renda (PTCR) serviram de impulso para que 10,4 milhões de brasileiros aumentassem sua renda.
“A taxa de pobreza em 2021, por reflexos da pandemia, foi a mais elevada dos últimos dez anos. Já em 2022, um ano eleitoral, o governo tinha interesse em implementar o Auxílio Brasil, que contribuiu para a redução da pobreza no país”, explica Pablo Lira, diretor-presidente do IJSN.
Contudo, a Bahia tem o sexto maior número de pessoas do país na extrema pobreza. São mais de 1,8 milhão de pessoas sobrevivendo com menos de R$208,73 por mês. Em maio deste ano, o estado ficou em 2º lugar com o maior número de famílias assistidas pelo programa Bolsa Família, ficando atrás apenas de São Paulo. São mais de 2,5 milhões de beneficiários que recebem R$658,00 em média.
“Os dados indicam que a pobreza não é solucionada apenas com Programas de Transferência Continuada de Renda. Essa ação é fundamental, mas para virar a página, é importante que elas sejam combinadas com políticas de assistência social, acesso ao primeiro emprego, habitação e geração de renda”, aponta Pablo Lira.
Foto: Marina Silva/Arquivo CORREIO