“Essa perda de fôlego da atividade industrial reflete o período prolongado de convivência com juros altos”, explica a economista Larissa Nocko
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgou nesta terça (04), os Indicadores Industriais de fevereiro, que confirmam a desaceleração da indústria de transformação.
Os indicadores tiveram como base as sondagens feitas com empresas que representam 95% do PIB industrial brasileiro, onde foi detectado a desaceleração mensal em quatro dos seis fatores enfocados: faturamento, massa salarial, rendimento e utilização da capacidade instalada.
A economista da CNI que coordena a pesquisa, Larissa Nocko, afirmou que o setor vinha dando sinais de desaceleração nos últimos meses de 2022.
“Essa perda de fôlego da atividade industrial reflete o período prolongado de convivência com juros altos, agravado pela incerteza que marcou os últimos meses e que vem penalizando os investimentos produtivos”, explica a economista.
Destaque para a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que teve retração tanto mensal (-0,2 pontos) quanto anual (-2,2 pontos.) O resultado mantém a UCI em uma trajetória de queda iniciada ainda em 2021 e que continuou em todo o ano de 2022.
O faturamento real declinou 0,1% em fevereiro em comparação com janeiro de 2023. Neste subíndice, houve crescimento de 1,4% na comparação com fevereiro de 2022. A massa salarial real dos trabalhadores da indústria recuou 1,3% em fevereiro frente a janeiro e avançou 4,4% ante fevereiro de 2022. O rendimento médio real caiu 1,2% entre fevereiro e janeiro deste ano.
O emprego e as horas trabalhadas na produção tiveram estabilidade em fevereiro no comparativo mensal. Na análise interanual, houve expansão de 0,7% e 0,9%, respectivamente.
Foto: Reprodução/CNI