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LULA E BOLSONARO TRAVAM EMBATE COM ACUSAÇÕES DE FAKE NEWS

Redação - 29/10/2022 07:10 - Atualizado 29/10/2022

O presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciaram o último debate do segundo turno das eleições, organizado pela TV Globo, com um embate sobre o salário mínimo e outros benefícios trabalhistas.

O chefe do Executivo acusou a campanha do petista de produzir fake news para dizer que ele acabaria com o 13º salário, as férias e as horas extras dos trabalhadores.

“Nós concedemos reajuste ao salário mínimo no mínimo pela inflação”, afirmou Bolsonaro, sobre um dos principais desgastes de sua campanha na última semana. Após vir à tona um plano do Ministério da Economia para desindexar o salário mínimo e os benefícios previdenciários, o presidente e o ministro da Economia, Paulo Guedes, precisaram ir a público prometer o aumento real do mínimo, das aposentadorias e dos salários do funcionalismo público. No debate, Bolsonaro culpou a pandemia e a guerra da Ucrânia pelo fato de não ter concedido mais benesses durante seu mandato.

A campanha de Lula explorou na TV questões econômicas consideradas frágeis do atual governo, especialmente os estudos do Ministério da Economia sobre desindexação do salário mínimo e fim da dedução de gastos com saúde e educação do Imposto de Renda. Nas propagandas eleitorais, as peças também disseram que Bolsonaro, se eleito, iria acabar com 13º, férias e horas extras

Lula evitou responder pelos materiais divulgados pela sua campanha e se limitou a dizer que Bolsonaro é “mentiroso” e já mentiu mais de 6.000 vezes. “Eu não fico dentro do Palácio sem trabalhar vendo televisão, tenho coisa mais importante para fazer”, provocou. “Parece que o meu adversário está descompensado, porque ele é um samba de uma nota só”, afirmou o petista.

Sobre o salário mínimo, o ex-presidente acusou o adversário de não ter reajustado durante os quatro anos de governo o reajuste no salário mínimo. “Eu não sei o que nosso adversário está vendo, porque a verdade nua e crua é que o salário mínimo dele hoje é menor do que quando ele entrou”, disse. O ex-presidente também afirmou que Bolsonaro não reajustou os benefícios da merenda escolar.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou  que as pesquisas que mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente na corrida pelo Palácio do Planalto são “fajutas”. Ao associar o petista à corrupção, o chefe do Executivo perguntou a Lula se “o crime compensa”. O candidato à reeleição citou escândalos na Petrobras. Lula, por sua vez, criticou a política externa do governo Bolsonaro. “O Brasil hoje é mais isolado que Cuba”, declarou o petista. O presidente, por sua vez, disse que o PT apoia Venezuela, Cuba e Argentina.

Candidato à reeleição, o chefe do Executivo disse que os governos petistas usaram dinheiro do BNDES para financiar a construção de um metrô em Caracas, capital da Venezuela, em detrimento do metrô de Belo Horizonte (MG). Bolsonaro também questionou por que o PT não concluiu a transposição do rio São Francisco.

Com acusações de disseminar notícias falsas de ambos os candidatos à presidência, o presidente Jair Bolsonaro reclamou estar lutando contra “todo o sistema”, com críticas a redes de TV e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o adversário de ser mentiroso. “Só no programa de televisão dele nós ganhamos 60 direitos de resposta por causa das mentiras dele”, destacou o petista.

Bolsonaro afirmou que rádios e TVs espalharam notícias falsas como a de que seu governo pretende acabar com benefícios como 13º, horas extras e férias. Lula se recusou a responder os questionamentos do presidente sobre as inserções e disse que foi ao debate para responder ao presidente “conversar com o povo brasileiro”, acusando o governo de não dar aumento no salário mínimo e nem merenda escolar.

O ex-presidente também disse não ter “tempo” para ver as propagandas eleitorais veiculadas pela sua campanha. “Eu tenho coisa para fazer, eu tenho que andar pelo País, eu tenho que conversar com o povo, eu não fico no Palácio da Alvorada sem trabalhar vendo televisão”, disse, no debate promovido pela TV Globo.

Insistindo que foi prejudicado pela campanha petista, Bolsonaro alegou que instituições como o TSE e grandes veículos de mídias atuam a beneficiar seu adversário e prejudicá-lo. O presidente afirmou ainda que, na questão do TSE, Lula “roubou” espaço e reclamou que o TSE não lhe atende. Em um aumento de tom, Bolsonaro insistiu na pergunta sobre as propagandas. “Vem na minha frente e fala.” Lula chamou o adversário de “descompensado”. “Ele é um samba de uma nota só”, disse o petista.

Jair Bolsonaro defendeu no primeiro bloco a medida aprovada durante sua gestão para redução dos combustíveis e acusou os partidos de esquerda de terem votado contra a medida. “Nós não demos canetada para baixar preço dos combustíveis como eles faziam no passado”, provocou Bolsonaro, ao citar o alto endividamento da Petrobras durante as gestões PT

Em resposta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o adversário de ter reduzido o ICMS dos Estados sobre combustíveis “por covardia”. Ele disse que Bolsonaro não teve coragem de “dar uma canetada” nos preços das estatais por medo dos acionistas. “Ele poderia ter feito isso reduzido preços dos combustíveis sem quebrar os Estados”, disse.

A estratégia de classificar o adversário como “mentiroso” a partir de pautas econômicas foi predominante no primeiro bloco do debate da TV Globo. Em diversas vezes, Bolsonaro exaltou dados econômicos do seu governo e cobrou Lula a desmentir a tese de que seu novo governo promoveria a redução do salário mínimo, o fim do 13º e das férias. Já Lula afirmou que o presidente é o maior “mentiroso” em todas as respostas dadas.

Lula pediu sete vezes o direito de resposta e teve um minuto concedido pela produção do debate na Globo, em resposta a uma das requisições. “Sempre achei que o debate para Presidente era um momento de engradecimento da consciência política da sociedade brasileira. Imaginei que a gente pudesse debater os temas de interesse nacional. Mas esse cidadão se preparou para vir aqui, preocupado com um programa de televisão que não assisto porque tenho o que fazer. Quem vê programa de televisão é quem faz e o povo que tá em casa. Eu tava na rua conversando com o povo”, disse Lula. Ao longo do primeiro bloco, Lula foi acusado de ter mentido sobre Bolsonaro em campanhas televisionadas na última semana.

Acusado pelo presidente Jair Bolsonaro de espalhar desinformação sobre a situação do ex-presidente Lula na Justiça, o jornalista William Bonner fez um esclarecimento. “Realmente disse que o candidato Lula não deve mais nada à Justiça. Mas, como jornalista, não falo coisas da minha cabeça e, sim, baseado em decisões fundamentadas Supremo Tribunal Federal”, declarou. Em um aceno ao eleitorado idoso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o presidente Jair Bolsonaro (PL) de deixar aposentados “passando fome”.

O petista criticou a reforma da Previdência feita pelo governo em 2019 e atacou a falta de aumento real do salário mínimo na atual gestão. “O aposentado também está passando fome, não teve aumento de salário mínimo. Isso acontece nesse País que você deveria saber. Trabalhador que poderia se aposentar com R$ 2 mil hoje ganha R$ 1,3 mil”, afirmou Lula no debate da TV Globo, transmitido na noite desta sexta-feira (28).

Bolsonaro rebateu Lula. “Especialidade de roubar aposentados é sua, basta olhar o que aconteceu com os aposentados da Caixa Econômica Federal, Petrobras e Correios”, respondeu, ao suscitar casos de corrupção em governos do PT. O ex-presidente ainda insistiu em uma notícia falsa de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, acabaria com 13º salário e as férias. Durante o embate, Bolsonaro questionou reiteradas vezes se Lula manteria a informação, veiculada nos programas eleitorais do PT. “Quem falou de 13º e férias foi teu Deus, o Guedes”, disse o petista.

O presidente Jair Bolsonaro criticou o programa Mais Médicos, que trouxe profissionais cubanos para cuidar da saúde pública no Brasil. Bolsonaro questionou a competência dos profissionais estrangeiros e acusou o programa de ser usado para financiar o governo cubano. “Eles os médicos foram embora porque sabiam que eu ia aplicar a prova do Revalida neles e o pessoal não entendia nada, estavam aqui para ganhar dinheiro para Cuba”, disse o presidente.

Em resposta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu os profissionais cubanos e o programa. Criticando o conhecimento do presidente sobre o tema, Lula ironizou que Bolsonaro demitiu seu único ministro que “entendia” sobre saúde, Luiz Henrique Mandetta, que, segundo Lula, foi o único chefe da saúde que defendeu, durante o governo Bolsonaro, a vacinação contra a covid-19.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonarotrocaram farpas sobre a ligação com Roberto Jefferson, ex-deputado que atirou 50 vezes e atirou três granadas contra policiais federais neste domingo, 23. “O seu modelo de cidadão é (Roberto) Jefferson armado até os dentes”, disse o petista.

Bolsonaro tentou se desprender de Jefferson, lembrando da ligação de Lula com o ex-presidente do PTB no escândalo do mensalão e disse que determinou a prisão imediata do ex-parlamentar. A negociação até a entrega do ex-deputado durou mais de 5 horas. Lula triplicou dizendo que o mandatário foi orientado a se fastar de Jefferson, e disse que eles são amigos.

“Alguém te orientou ‘se afasta de Roberto Jefferson’. Você mandou a polícia negociar. Porque se fosse um negro, você iria mandar matar. Mas como foi seu amigo.”

O presidente Jair Bolsonaro (PL) associou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA), envolvido no caso em que encontraram R$ 51 milhões em um bunker em Salvador. Lula negou responsabilidade.  O MDB, partido de Geddel, compõe a chapa petista ao governo do Estado da Bahia, encabeçada por Jerônimo Rodrigues, que disputa o segundo turno contra ACM Neto (União Brasil).

Respondendo a pergunta do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre propostas para criação de empregos, o ex-presidente Lula (PT) criticou os números apresentados na gestão do chefe do Executivo. “O que o brasileiro precisa entender é que eles mudaram o que é considerado emprego. Consideram MEI e trabalho informal como emprego. Na minha época, o emprego era de carteira assinada, CLT Quero saber quais são os números de emprego com carteira registrada [na gestão de Bolsonaro]”, argumentou.

Bolsonaro rebateu Lula sobre dados da gestão da Economia nos quatro anos de mandato. De acordo com Bolsonaro, o Brasil deve crescer mais do que a China. “Estamos prontos para decolar e fazer o Brasil uma grande nação na Economia. Temos o parlamento perfeitamente afinado conosco, mais de centro-direita. Tudo acertado para decolarmos e a Economia está sendo carro-chefe. Uma das melhores Economia do mundo. Vamos crescer mais do que a China. Temos a inflação menor do que a Europa e Estados Unidos”, disse Bolsonaro.

Durante suas considerações finais no debate da Globo, Jair Bolsonaro confundiu-se no discurso e cometeu um ato falho: “Se essa for da vontade de Deus, estarei pronto para cumprir mais um mandado como deputado federal”, disse, antes de se autocorrigir. “Presidente.”

Bolsonaro defendeu novamente valores cristãos na política, a defesa da “família” e citou o atentado que sofreu na campanha de 2018, em Juiz de Fora. “Mais que escolher um Presidente da República é escolher o futuro da nossa nação”, declarou sobre o pleito do próximo domingo.

O ex-presidente Lula aproveitou as considerações finais do debate para agradecer pela oportunidade e relembrar marcos do seu governo. “Se você quiser, posso ser o próximo presidente da República a estabelecer harmonia no país. Depende única e exclusivamente de você votar no Lula para a gente voltar a consertar esse país”, afirma.

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