Faltando quatro meses para a eleição, só um evento extraordinário evitará uma disputa eleitoral no segundo-turno entre Lula e Bolsonaro. A hipótese de vitória do petista no primeiro turno é inviável e só seria possível se Ciro Gomes renunciasse à candidatura, o que não parece provável. Ciro joga com o imponderável, um fato fora da normalidade, que lhe permita chegar ao segundo-turno. E isso pode acontecer, afinal, na última eleição dois fatos fora da normalidade ocorreram às vésperas do pleito: o impedimento de Lula ser candidato e, posteriormente, a facada sofrida por Bolsonaro e ambos os eventos influenciaram fortemente as eleições.
Afora esse fato extraordinário, haverá segundo-turno e ele será entre Lula e Bolsonaro, lembrando que terceira via nesse processo é o candidato Ciro Gomes, e que será impossível para Simone Tebet, embora ela tenha todos os atributos para ser Presidente da República, tornar-se conhecida nesse imenso Brasil em apenas quatro meses.
Por isso, é bom que os dois lados estejam preparados e que a enorme massa de brasileiros que não quer nem Lula nem Bolsonaro, passe a avaliar o que é melhor para o Brasil, tendo em mente que a abstenção não é escolha, afinal, quando se deixa de votar se delega ao vizinho a tarefa intransferível de escolher quem vai governar o país.
A disputa terá inevitavelmente ares ideológicos e o leitor deve acompanha o segundo-turno das eleições presidenciais na Colômbia, que ocorre em 19 de junho, para ter um avant-première do que será o pleito no Brasil. Lá o segundo turno vai ter uma disputa entre Gustavo Petro, candidato de esquerda, que ficou em primeiro lugar, com 40,4% dos votos e o candidato Rodolfo Hernández, que obteve 27,9% dos votos, e, como Jair Bolsonaro, chega à disputa esgrimindo polêmicas e propostas de extrema direita.
Hernández já disse em uma entrevista que admirava Adolf Hitler e já bateu em um vereador da oposição da prefeitura de Bucaramanga, o que acabou levando à suspensão de seu mandato. E sua campanha se baseia em um discurso contra a corrupção e contra os políticos tradicionais, a quem acusa por todos os males do país. Igualzinho ao nosso Bolsonaro que se elegeu com o mesmo discurso e hoje governa de mãos dadas com o Centrão. Já Gustavo Petro, que transita na mesma vertente de Lula, tentou por duas vezes ser presidente e não teve os votos necessários. Pois é, toda eleição é única, mas a da Colômbia vai ser um thriller da eleição brasileira. (EP – 30/05/2022)