COVID-19 DEIXA SEQUELAS NA MEMÓRIA, DIZ ESTUDO

COVID-19 DEIXA SEQUELAS NA MEMÓRIA, DIZ ESTUDO

O Globo Repórter revelou uma pesquisa inédita feita na Rede Sarah – entre abril de 2021 e janeiro de 2022 – com 614 pacientes que tiveram Covid. O estudo mostrou sequelas desconhecidas da doença, como deficiências na concentração, atenção e fluência verbal, e em todos os participantes foi constatado algum grau de perda de memória. Caso da jornalista Rhayanna Ferreira Araújo, de 31 anos, que lia dez livros por mês e passou a não se lembrar de mais nada ao virar uma página.

A pesquisa registrou ainda aumento nos níveis de ansiedade (46%) e depressão (29%). A média de idade dos pacientes com esses problemas é de 47,6 anos e a maioria é de mulheres. As sequelas afetam tanto quem teve Covid grave, quanto os casos leves. E podem durar mais de um ano. É a chamada “Covid longa”. Rhayanna sempre teve boa memória. Guardava tudo na cabeça: letras de música, filmes, séries, os livros. Mas, de uma hora para a outra, tudo mudou. Pesquisa identificou também dificuldade para reconhecer emoções em pacientes que tiveram Covid. “De repente eu não era mais aquela pessoa. Fui percebendo que ao chegar ao final de cada capítulo, já não sabia mais o que tinha lido. Era uma coisa muito estranha”, conta.

No início da recuperação, em um teste, Rhayanna não conseguia sequer desenhar um relógio, era como se ela nunca tivesse visto um na vida. Agora, ela já se lembra. O mesmo aconteceu com o gerente de RH Eduardo Araújo Leite. Ele percebeu que tinha algo estranho quando começou a esquecer coisas simples. A situação piorou quando Eduardo saiu de casa para ir trabalhar e esqueceu para onde estava indo. “Precisei ir trabalhar de ônibus. Botei o fone de ouvido e fui, mas não sabia para onde estava indo. Cheguei no terminal, desci e falei: ‘Meu Deus, o que eu estou fazendo aqui?’”. O gerente de RH também está tratando as sequelas da Covid. Enquanto isso, recebe ajuda dos colegas de trabalho.

Até o chefe manda mensagem com as demandas do dia para alertar Eduardo do que deve ser feito. “A ajuda da minha equipe tem feito muito bem, e o tratamento tem funcionado”, afirma Eduardo.

Foto: divulgação