EMPRESAS APONTAM QUE REAJUSTES DO DIESEL PODEM ELEVAR TARIFAS DE ÔNIBUS

EMPRESAS APONTAM QUE REAJUSTES DO DIESEL PODEM ELEVAR TARIFAS DE ÔNIBUS

Após a Petrobras anunciar, para esta terça-feira (10), um aumento de 8,9% no preço do diesel nas refinarias, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) avalia que o reajuste impacta em 15,4% nas tarifas dos ônibus urbanos em todo país. Segundo a NTU, para compensar os reajustes que já somam 47% em 2022, as passagens deveriam subir em média 2,9%, de imediato. Considerando os últimos 12 meses, a associação aponta que o diesel já acumula uma alta de 80,9%, muito acima da inflação do período, o que representa um impacto de 26,5% na tarifa no último ano. Lembrando que o combustível é o segundo maior custo do setor de transporte coletivo, respondendo por 32,8% dos gastos, a entidade alerta para os riscos da falta de ônibus fora dos horários de pico e aponta a necessidade das empresas recorrerem ao poder público para evitar paralisações.

“Temos cidades que já fizeram seus reajustes tarifários anuais e outras que adotaram subsídios emergenciais ou permanentes, a situação varia. Mas a grande maioria dos operadores não têm fôlego financeiro para enfrentar mais esse reajuste e terão que suspender o serviço fora dos horários de pico”, afirma Francisco Christovam, presidente da NTU. “Os governos só têm duas opções para evitar a ruptura nos serviços de transporte: ou repassam os aumentos para as tarifas que remuneram os operadores, conforme os contratos vigentes em cada local, ou subsidiam esse reajuste. As empresas de transporte coletivo urbano não são responsáveis por esses aumentos e não têm como arcar com esses custos. Estamos agora no modo de sobrevivência, tentando manter da melhor forma a oferta do serviço, que atende 43 milhões de brasileiros diariamente”, acrescentou.

Uma alternativa apontada pela NTU seria a separação entre a tarifa pública, de utilização do ônibus, e a tarifa técnica, ou de remuneração dos custos das operadoras, com a diferença sendo arcada pelo poder público. “Assim, os aumentos de custo decorrentes dos reajustes do diesel podem ser compensados sem onerar a tarifa do passageiro”, explicou Christovam.

Foto: Arthur Garcia/Agecom