DOSSIÊ DA PETROBRAS SOBRE LANDIM E PIRES ASSUSTOU MINISTRO DAS MINAS E ENERGIA

DOSSIÊ DA PETROBRAS SOBRE LANDIM E PIRES ASSUSTOU MINISTRO DAS MINAS E ENERGIA

Os relatórios da diretoria de conformidade da Petrobras sobre o histórico do executivo Rodolfo Landim e do consultor Adriano Pires assustaram o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, e técnicos da Corregedoria Geral da União. Segundo apontaram os documentos, os dois teriam dificuldades em passar pelos  critérios do comitê interno que vai avaliar se eles têm ou não condições de ocupar os postos para os quais foram indicados.

O comitê se reúne na próxima terça-feira (5) para analisar um relatório e preparar um parecer a ser enviado aos acionistas que vão deliberar no dia 13 sobre as indicações de Bolsonaro. Nesse parecer, o comitê precisa resumir as conclusões das investigações, conhecidas internamente como  “Background Check de Integridade”, ou BCI. Landim, que é presidente do Flamengo, foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir o conselho da empresa, mas desistiu ontem de pleitear o posto.

Pires, que é economista e consultor, foi escolhido para presidir a Petrobras, mas também considera renunciar à indicação . De acordo com os documentos apresentados a Bento Albuquerque na última quarta-feira (30), Landim tem uma série de processos e acusações pendentes na Justiça que atestam sua relação com o empresário Carlos Suarez, sócio de distribuidoras de gás, e configurariam conflito de interesse caso ele assumisse. Colocariam, também, a imagem da Petrobras em risco.

Os mesmos documentos foram apresentados à Corregedoria-Geral da União.  Já sobre Pires a conclusão é de que, se assumir o cargo, ele terá “conflitos demais”, segundo pessoas que tiveram acesso às informações do relatório. A questão dos conflitos de interesse também é a base de uma representação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União para que Pires não assuma antes de uma investigação mais aprofundada.

Pires é consultor não só de Suarez, mas também da associação do setor (Abegás), da Compass, concessionária de gás do empresário Rubens Ometto, e de diversas outras empresas do setor. Ele também é bastante próximo do próprio Bento Albuquerque, responsável por sua indicação a Bolsonaro. As agendas oficiais do ministro indicam que os dois se reuniram 14 vezes desde 2019.

Em entrevista ao GLOBO logo após o consultor ser escolhido pelo presidente da República, o ministro disse que Adriano Pires era a “pessoa mais adequada” para comandar a Petrobras.   Na presidência da empresa, Pires terá que decidir sobre contratos e disputas judiciais e terá acesso a todo tipo de informação confidencial.

Desde ontem, Pires vem dizendo a pessoas próximas que cogita desistir do cargo.  Ele diz que só descobriu depois de aceitar a indicação que a política de integridade da Petrobras não permite que seus executivos tenham parentes comercialmente ligados a concorrentes e parceiros comerciais. E para assumir a presidência da petroleira, Pires estava passando as ações da consultoria para o filho, Pedro.

Para Landim, a parte mais delicada do relatório da diretoria de conformidade descreve o processo que mostra que ele recebeu em suas contas na Suíça depósitos de “contas de passagem” usadas para mandar recursos a Renato Duque e Pedro Barusco, executivos da Petrobras envolvidos no petrolão.

De sua conta, Landim enviou US$ 643 mil para uma conta de Suarez, também na Suíça, em maio de 2021. A movimentação foi detectada na época da Lava Jato e está descrita em um processo movido pelo Ministério Público segundo uma comunicação formal enviada pelo MP suíço ao brasileiro no âmbito da operação Lava Jato.

Os documentos sobre essas contas estão no processo movido pelo Ministério Público Federal contra Landim por fraude e desvio de recursos do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, a Petros. A Petros perdeu R$ 100 milhões em um fundo administrado pela Mare. No processo, o procurador da República Ancelmo Lopes pede a quebra de sigilo das contas de Landim, para apurar se as movimentações na Suíça tem algo a ver com o caso da Petros.

No final do ano passado, uma liminar do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal de Brasília, cancelou o pedido de cooperação internacional entre Brasil e Suíça e suspendeu o processo até que seu mérito seja julgado em definitivo. Como isso não aconteceu, o caso de Landim continua pendente na Justiça.

Foto: divulgação