

Caetano Veloso usou as redes sociais para falar sobre a morte do congolês Moïse Kabagambe, assassinado brutalmente no Quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, na última semana.”Chorei hoje lendo sobre o assassinato de Moïse Mujenyi Kabagambe num quiosque na Barra da Tijuca. Que o nome do Quiosque seja Tropicália aprofunda, para mim, a dor de constatar que um refugiado da violência encontra violência no Brasil”, escreveu.Para o artista, além da brutalidade na morte de Moïse, e na falta de acolhimento do refugiado, o fato do crime ter ocorrido em um quiosque com o mesmo nome do movimento cultural dos anos 60 do qual ele foi um dos líderes, fere a memória da Tropicália.
“Para mim e certamente para @gilbertogil, Capinam, @ritalee_oficial, @tomzeoficial, Sérgio Dias, @galcosta, @arnaldobaptistaoficial, Julio Medaglia, Manuel Barenbein… E fere a memória de Rogério Duprat, Torquato Neto, Nara Leão, Guilherme Araújo… Sobretudo a de Hélio Oiticica, que criou o termo. Tenho certeza de que a família Oiticica está comigo nessa amarga revolta. O Brasil não pode ser o que há de mesquinho e desumano em sua formação”.
Tenho certeza de que a família Oiticica está comigo nessa amarga revolta. O Brasil não pode ser o que há de mesquinho e desumano em sua formação.Moïse Kabagambe foi espancado até a morte no dia 24 de janeiro após cobrar R$ 200 por duas diárias de trabalho que não haviam sido pagas pelo responsável do Quiosque Tropicália.As agressões duraram pelo menos 15 minutos e foram registradas pela câmera de segurança do quiosque. O congolês apanhou com socos, pontapés, pedaços de madeira e um taco de beisebol.
FOTO: REPRODUÇÃO/GLOBO