JUSTIÇA APROVA REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA CASA DE RUY BARBOSA À ABI

JUSTIÇA APROVA REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA CASA DE RUY BARBOSA À ABI

A Justiça aprovou, nesta quinta-feira (13), o pedido de reintegração de posse do Museu Casa de Ruy Barbosa, feito pela Associação Bahiana de Imprensa (ABI) e situado na rua que leva o nome do jurista no Centro Histórico de Salvador. “O que vai acontecer agora é que a gente recebe, vamos dizer assim, a chave da casa, que é nossa, mas estava como outro ‘inquilino’”, afirma o presidente da ABI, Ernesto Marques.

No próximo ano vão se completar 100 anos da morte de Ruy Barbosa. Em julho do ano passado, a ABI mobilizou 12 instituições: Instituto Histórico, Assembleia Legislativa, Câmara Municipal de Salvador, Tribunal de Contas dos Estados, Municípios, Associação Comercial, Academia de Letras, entre outros, para organizar uma programação alusiva ao centenário da morte de Ruy. “Isso deveria acontecer no dia 1° de março de 2023 com a reabertura do museu”, diz Marques.

De acordo com o presidente, a demora que a UniRuy, antiga Faculdade Ruy Barbosa, teve em avançar nas negociações com a ABI para fazer os devidos reparos e cuidar de maneira correta do local, depois de mais um ano tentando entendimento, fez com que a associação entrasse na Justiça com o pedido de reintegração de posse. A antiga faculdade passou a administrar o local após um convênio feito com a ABI em 1998. Marques relata que essa demora pode ter comprometido uma grande parte da programação do centenário de Ruy, especificamente a reabertura do museu, porque eles terão pouco tempo para conseguir fazer projeto arquitetônico e museológico, além de todas as obras de restauro.

“Conseguir financiamento para tudo isso agora, em praticamente um ano, é quase impossível. Então essa resistência da UniRuy em sair de uma forma civilizada e respeitosa do equipamento cultural que ficou sob a responsabilidade deles tem um custo adicional muito grande, que é uma espécie de dano moral, porque nos impede e nos dificulta bastante, já que tirou da gente o tempo que a gente precisava para viabilizar o projeto de reabertura do museu”, declara o presidente da associação.

Além disso, Ernesto Marques ressalta que não só o imóvel, mas que o acervo do museu ficou bastante degradado por conta da falta de cuidados e do tempo fechado. “Então a gente também tem que conseguir captar recursos para financiar o restauro de todo o acervo, inclusive das obras de arte que já foram avaliadas pelo José Dilson Argôlo e estão muito danificadas. Então precisa de tempo para captar recursos e para executar um trabalho que é muito delicado e é inevitavelmente demorado”, ressalta.

Apesar desta decisão favorável da Justiça, a ABI continua na expectativa de um acordo com a UniRuy, para extinguir as outras ações indenizatórias que pedem a reparação de danos materiais e morais causados por eles. “Do contrário, vamos mobilizar a sociedade baiana, o meio jurídico, empresas que acreditam e investem em cultura para devolver o Museu Casa de Ruy Barbosa ao nosso Centro Antigo. Salvador merece”, finaliza.

Foto: divulgação