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488 JORNALISTAS ESTÃO PRESOS NO MUNDO EM 2021, DIZ RELATÓRIO

Redação - 16/12/2021 10:00

Um total de 488 jornalistas estão detidos no mundo, um aumento de 20% em relação a 2020, de acordo com o relatório anual do “Repórteres Sem Fronteiras (RSF)”, publicado nesta quinta-feira (16). México e Afeganistão seguem no topo da lista dos países onde é mais perigoso exercer a profissão, informa o relatório. “Nunca, desde a criação do balanço anual da RSF, em 1995, o número de jornalistas presos foi tão alto”, diz o comunicado da organização, com sede em Paris.

Dos 488 jornalistas detidos pelo mundo, 60 são mulheres, afirma a RSF, outro recorde. O número de jornalistas mortos caiu em 2021, para 46 casos (até 1º de dezembro), mas em grande parte graças ao fim parcial dos conflitos armados na Síria, Iraque, Afeganistão e Iêmen. Trinta jornalistas foram assassinados, sete deles no México, o país mais perigoso pelo terceiro ano consecutivo, que registrou repórteres assassinados nos últimos cinco anos.

“Alimentada por uma impunidade quase total, e na ausência de reformas corajosas por sucessivos governos (…), a espiral de violência parece não ter fim”, denuncia o relatório. No Afeganistão, seis jornalistas foram mortos durante o ano em ataques e bombardeios. O país asiático, dilacerado por décadas de violência, registra o mesmo número de mortes que o México nos últimos cinco anos, 47. Além dos 488 jornalistas oficialmente presos, outros 65 foram sequestrados.

Repressão

O aumento de 20% de jornalistas presos deve-se, em particular, à repressão à liberdade de reportar em três países: Birmânia, onde uma junta militar tomou o poder em fevereiro; Bielorrússia (ou Belarus), que experimentou uma polêmica reeleição presidencial em agosto; e China, cujo regime comunista assumiu o controle total de Hong Kong.

Um tribunal da ex-colônia britânica ordenou na quarta-feira (15) a liquidação da empresa proprietária do jornal Apple Daly, um jornal pró-democracia. O Apple Daily fechou este ano depois que seus ativos foram congelados sob uma lei de segurança nacional que a China impôs a Hong Kong para abafar a dissidência.

Em comparação com 2020, o número de informantes encarceradas aumentou em um terço. Destaca-se o caso de Zhang Zhan, jornalista chinês, em estado crítico. Na Bielorrússia, mais mulheres (17) do que homens (15) foram presas este ano, incluindo Daria Chultsova e Katsiarina Andreyeva, condenadas a dois anos em uma colônia penal, por terem transmitido uma manifestação não autorizada ao vivo em uma estação de televisão.

Em relação aos sequestros, a organização jihadista Estado Islâmico (EI) mantém 28 jornalistas, 43% do total mundial, apesar do grupo ter sido oficialmente derrotado em 2017. Até o momento, as famílias desses repórteres ainda não sabem se estão vivos ou mortos.Dois informantes mexicanos, Jorge Molotzín Cential e Pablo Felipe Romero, desapareceram respectivamente nos dias 10 e 25 de março no estado de Sonora, que faz fronteira com os Estados Unidos, lembra a RSF.

Foto: divulgação

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