REIS DEFENDE DISTRIBUIÇÃO DE ABSORVENTES NA EDUCAÇÃO

REIS DEFENDE DISTRIBUIÇÃO DE ABSORVENTES NA EDUCAÇÃO

A menstruação ainda afasta as meninas pobres da sala de aula em pleno século XXI. Isso porque, sem condições de comprar absorventes higiênicos nos dias de fluxo, elas param de frequentar às aulas por não ter como conter o sangramento que é mensal e rotineiro em suas vidas. Ontem, a prefeitura de Salvador deu um passo para garantir o cuidado menstrual para as integrantes da rede pública municipal de educação e lançou o programa Ciclo de Cuidados – Programa de Dignidade Feminina. A iniciativa vai distribuir 500 mil absorventes para 28 mil adolescentes e mulheres com idades entre 11 e 60 anos.

Serão dois pacotes por mês para cada beneficiada. A medida vale tanto para as alunas do ensino fundamental quanto para quem cursa o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e para aquelas que iniciarem o clico menstrual antes dos 11 anos. Uma das beneficiadas será a filha da professora de dança Giza Kizumba, que ontem esteve na escola onde a menina estuda para assistir ao lançamento do Ciclo de Cuidados.

Quando Giza começou a menstruar, recorda, foi uma preocupação para os seus pais. O casal tinha 11 filhos, sendo seis mulheres, e morava no Engenho Velho da Federação, em uma habitação humilde. Ter dinheiro para comprar absorventes higiênicos não era fácil. “Eu achei a ideia muito boa. Temos meninas que realmente precisam desse cuidado com a saúde, então, o lançamento desse projeto é muito importante. Precisamos de inciativas como essa. No meu tempo nunca houve esse tipo de ação, então, estamos evoluindo”, afirmou.

A filha dela é uma das 500 estudantes da Escola Municipal Teodoro Sampaio, no bairro de Santa Cruz, onde o programa foi oficialmente lançado. A prefeitura estima que 28 mil meninas serão beneficiadas e afirmou que a entrega dos primeiros 500 mil produtos ocorrerá nos próximos dias. Salvador é uma das primeiras cidades do país a desenvolver um programa de cuidados com a saúde e a dignidade menstrual. O prefeito Bruno Reis contou que também foi elaborada uma cartilha que explica as mudanças naturais que ocorrem no corpo nessa fase e que o material vai ajudar a esclarecer dúvidas de estudantes sobre o tema.

“Os absorventes serão distribuídos de forma mensal. Estamos investindo cerca de R$ 700 mil por ano para garantir essa ação que evita, entre outras coisas, a evasão escolar. Muitas meninas deixam de ir à escola durante o período menstrual por não ter condições de comprar o absorvente e com isso acabam comprometendo o seu aprendizado”, disse.

Foto: divulgação