A CCR Metrô nega que seguranças da concessionária tenham praticado racismo contra o autônomo Caíque Vitor Paiva, 29 anos, que foi filmado durante uma abordagem na Estação da Rodoviária. Por meio de nota, a empresa disse que o homem “se exaltou colocando em risco a integridade dos clientes e colaboradores no local” – o que contraria a versão de Caíque.
“Por isso, houve a necessidade de intervenção dos agentes para conter o homem e realizar o encaminhamento para delegacia, conforme protocolos de abordagem”. A Polícia Civil informou que Vitor foi conduzido à Central de Flagrantes, onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por desacato.
No boletim de ocorrência, com base no depoimento dos seguranças, consta que “o homem se exaltou e chegou a ameaçar funcionários da concessionária”. A CCR disse ainda que conta com um programa capacitação para os colaboradores. “Com foco total no atendimento, e que não tolera violência e quaisquer atitudes agressivas com seus clientes e sociedade”, conclui o comunicado.
Acusação de racismo
Caíque disse que se dirigiu à estação depois do trabalho, e encontrou todas as máquinas de recarga do cartão de transportes inutilizadas. Ao questionar à funcionária qual seria a solução, acabou violentamente imobilizado pelos guardas.
“A única coisa que fiz foi perguntar se alguém poderia me ajudar, ou se somos reféns de máquinas”, lembra. A mulher, identificada apenas como Adriana, chamou Caíque de “duro”, deduziu que ele não teria dinheiro para pagar R$ 4,10 pela passagem. “Nem me deixaram falar, já foram me segurando e me arrastando para fora dali. Um deles disse: ‘Você sabe com quem está falando fora daqui?’, para me intimidar”. Vitor identificou um dos seguranças, igualmente negro, como Fagundes.