SOTEROPOLITANOS ENFRENTAM FILA PARA CADASTRO NO AUXÍLIO BRASIL

SOTEROPOLITANOS ENFRENTAM FILA PARA CADASTRO NO AUXÍLIO BRASIL

Com a criação do Auxílio Brasil em substituição ao Bolsa Família, muitos soteropolitanos formaram uma fila quilométrica, nesta quarta-feira (10), em frente à sede da Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esporte e Lazer (Sempre), no bairro do Comércio, em Salvador. Foram em busca de informações e para se cadastrar no novo auxílio do governo que promete pagar até R$ 400 para cada família em situação de vulnerabilidade social – esse valor depende ainda da aprovação da PEC dos Precatórios.

Taiane Araujo, de 31 anos, descobriu que aconteceria a transição entre os dois programas, levantou antes do dia amanhecer e chegou na fila de cadastramento às 5h. Moradora do bairro de São Cristóvão e com três filhos, ela conta que nunca ficou sem receber o Bolsa Família e, por isso, também foi contemplada com o Auxílio Emergencial durante a pandemia. A baiana não recebe ajuda financeira de mais ninguém de sua família e precisou se dirigir à sede da Sempre para atualizar o cadastro e registrar sua filha de 9 meses de idade no programa.

A mãe das três crianças vendia lanches no bairro para ter outra renda e manter o sustento da casa, mas parou de comercializar os alimentos por causa da sua filha mais nova, que precisa de cuidados e atenção na maior parte do dia. Atualmente, Taiane prepara os salgados e o seu segundo filho os vende pelas ruas do bairro. Com o mesmo intuito da moradora de São Cristóvão – atualizar o cadastro no Bolsa Família – Tatiana Cruz, 30 anos, também se deslocou até a sede da Sempre nesta quarta (10).

Tatiana explica que sustenta os dois filhos somente com o dinheiro do Bolsa Família e com a pensão de R$ 200 que o pai das crianças envia mensalmente. A mulher confessa, no entanto, que ainda passa por vários apertos durante o mês. “Sem o bolsa família eu não me alimento, se for preciso dormir aqui, eu durmo. Eu fiquei sem botijão por dois meses, cozinhava na casa da vizinha, a gente ia dividindo comida. Eu só consegui ter o meu mesmo porque ganhei em uma rifa”, declarou a baiana.

É importante frisar, porém, que a atualização cadastral do programa só precisa ser feita a cada dois anos e, por isso, se o cidadão não tiver completado esse período, não é necessário o deslocamento até um posto da prefeitura. Além disso, a Sempre informou em comunicado, na terça-feira (9), que a transição do Bolsa Família para o Auxílio Brasil acontece de forma automática.

O secretário da Sempre, Kiki Bispo (DEM), informou que a divulgação da mudança do Bolsa Família para o Auxílio Brasil tem gerado muitas dúvidas. O titular da pasta ressalta que um dos fatores que tem causado grandes filas nos postos da prefeitura é a desinformação. “Muitas pessoas estão se dirigindo para as filas sem necessidade. Nós estamos frisando isso o tempo todo: as pessoas que estão recebendo o Bolsa Família vão migrar automaticamente para o Auxílio Brasil”, declarou.

O secretário informou ainda que, infelizmente, cerca de 50% do público atendido presencialmente pela Sempre com demandas referentes ao Bolsa Família não precisavam ter se dirigido aos postos de atendimento. “A gente até entende o lado dessas pessoas, já que elas passaram dificuldade com a pandemia e estão com medo de perder o auxílio. Mas nós asseguramos que essas pessoas vão migrar automaticamente, não precisam vir para as filas. Todas as 188 mil pessoas que são beneficiárias do Bolsa Família vão migrar automaticamente para o novo programa social”, disse Bispo.

Ivonete Oliveira, 41 anos, que já tinha visto o comunicado da Sempre, enfrentou a fila quilométrica em frente à sede da pasta para realizar o seu primeiro cadastro no programa. A baiana nunca precisou de Bolsa Família porque sempre teve emprego de carteira assinada. No entanto, durante a pandemia, Ivonete perdeu seu emprego e, atualmente, se sustenta vendendo salada de frutas no bairro onde mora.

Na fila do cadastramento, Giovani Silva, pai de três filhos, também esperava ansioso desde as 4h desta quarta (10) para se cadastrar e receber o benefício do governo federal. Segundo ele, o dinheiro do Bolsa Família caía regularmente em sua conta e, por isso, de acordo com a Sempre, ele não precisaria ter ido até um posto de atendimento. “É sempre bom vir para garantir, né?”, disse o homem.

Foto: divulgação