A TAXA DE JUROS E O SEU BOLSO – ARMANDO AVENA – COLUNA NO JORNAL A TARDE

A TAXA DE JUROS E O SEU BOLSO - ARMANDO AVENA - COLUNA NO JORNAL A TARDE

O Copom aumentou a taxa básica de juros em 1,5%, elevando-a para 7,75% ao ano. Era de se esperar, afinal o cenário é de inflação em alta e, para piorar, o Ministro Paulo Guedes destruiu parte da âncora fiscal. O auxílio social é indispensável já que o desemprego e a inflação estão tirando o poder aquisitivo das famílias, mas dar o benefício furando o teto de gastos só traz mais instabilidade para a economia, obrigando o Banco Central a aumentar mais os juros, o que eleva o endividamento do país e das famílias. Mas qual o impacto dos juros no bolso do leitor?

O aumento da taxa Selic implica diretamente em maior endividamento de milhões de brasileiros que usam mensalmente o crédito rotativo, seja através do cartão de crédito ou do cheque especial. Os juros do cartão de crédito aumentaram em setembro, atingindo a absurda taxa de 340%, a maior desde agosto de 2017. São juros de agiota, 50 vezes maior que a taxa Selic e não há e não há justificativa – inadimplência, custos ou impostos – que explique tamanha diferença. O crédito rotativo no Brasil, que já era proibitivo, com o aumento dos juros tornou-se um suicídio financeiro. Nos demais empréstimos também se verificam aumentos nos juros cobrados e a taxa média é de 22% ao ano, cerca de 3 vezes maior que a taxa Selic, mas na ponta é muito maior que isso.

Para o consumidor que ainda está comprando a crédito é fundamental analisar as modalidades de empréstimos e os juros que estão embutidos nas compras a prazo. O consumidor muitas vezes tem a impressão errada de que o importante é o valor da prestação, se ela cabe no salário, mas isso é um grande equívoco. Ao comprar a prazo é indispensável saber qual o juro embutido no preço para escolher a melhor oferta. É o caso, por exemplo, das concessionárias de automóveis onde os juros variam de 0,69% ao mês até taxas muito mais altas. Às vezes é melhor tomar um empréstimo no banco do que financiar diretamente. E é preciso pechinchar e não cair no jogo de números, do tipo tira um pedaço aqui e coloca lá. Infelizmente, no Brasil, o sistema financeiro foi montado com o objetivo de gerar lucros e não de financiar as empresas e o consumo.

Um exemplo é o crédito consignado, um empréstimo de risco zero, com desconto direto das parcelas no contracheque, que só vale para servidores públicos e pensionistas do INSS, e mesmo assim tem taxas de juros exorbitantes, muito superiores à taxa Selic. A política econômica voltou a ser uma corrida a inútil entre juros e inflação e isso é ruim para toda a economia, pois afeta diretamente o varejo, que esperava um Natal de recuperação; os investidores, que pensam duas vezes antes de buscar financiamento para investir; as empresas que precisam de crédito para capital de giro e os consumidores que são achacados com juros cada vez maiores.

                                       A DECISÃO DE LEWANDOWSKI

O ministro Ricardo Lewandowski do STF suspendeu a eficácia de   trechos de uma lei de 2015 que autoriza o governo do Estado a dar licenciamentos ambientais a empreendimentos na orla da Bahia. A decisão vai prejudicar os investimentos, especialmente na área de serviços, já que hotéis, restaurantes, pousadas e pequenos empreendimentos terão enormes dificuldades para obter licenças diretamente ao Ibama, que não tem pessoal nem disponibilidade para atuar nos 900 km de orla do Estado. São centenas de projetos em andamento, que vão gerar emprego e renda, e podem ser prejudicados pela decisão. A lei faz parte da Política Estadual de Meio Ambiente e o governo do Estado precisa se manifestar.

                                        EMPREGO NO INTERIOR

A Bahia gerou 109 mil postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e setembro de 2021, o melhor desempenho entre os estados do Nordeste.  Salvador liderou a geração de empregos com 22 mil novas vagas, mas são os municípios do interior que, proporcionalmente, estão demonstrando mais dinamismo. Como exemplo, temos os municípios de Juazeiro, que gerou cerca de 7 mil empregos, e Feira de Santana e Vitória da Conquista, com cerca de 5,5 mil vagas. Também foram destaques os municípios do Oeste, Luís Eduardo Magalhães e Barreiras; Santo Antônio de Jesus e, na RMS, Lauro de Freitas e Simões Filho. Além de Casa Nova onde está sendo implantado o maior projeto de energia eólica da Bahia.