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ECONOMIA PEDE AFROUXAMENTO DE REGRAS NO MEIO AMBIENTE

Redação - 24/09/2021 07:14

A título de reduzir o custo de fazer negócios no Brasil, o Ministério da Economia pediu para o Ministério do Meio Ambiente avaliar a possibilidade de afrouxar 14 regras ambientais a partir de “dificuldades listadas pelo setor privado”. O ofício foi enviado em 13 de maio.

Entre os pedidos do empresariado repassados pelo Ministério da Economia, estão:

  • a concessão automática de licenças caso haja demora na análise dos pedidos de licenciamento ambiental;
  • a revogação de regras que dificultam o desmatamento da vegetação nativa da Mata Atlântica;
  • e a redução de exigências para a fabricação de agrotóxicos voltados à exportação, com o objetivo de tornar o Brasil “um polo produtor de agroquímicos”.

Em ofício enviado na última terça-feira (21), a Secretaria Executiva do Ministério do Meio Ambiente pediu que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) analisasse os pedidos do setor privado e encaminhasse “as informações concernentes a esse instituto” até o próximo dia 30. No documento enviado pelo Ministério da Economia, a pasta afirmou que a política pública para reduzir o chamado Custo Brasil foi “pautada na parceria e no diálogo com o setor privado”.

O objetivo do projeto, segundo a pasta, é “identificar e eliminar dificuldades estruturais, burocráticas, trabalhistas e econômicas” que comprometeriam investimentos e tornariam produtos nacionais mais caros.

As demandas de afrouxamento incluem ainda:

  • extinguir a lista do Conselho Nacional do Meio Ambiente que define atividades em que se exige o estudo prévio de impacto ambiental (EIA) ou o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA);
  • dispensar licenciamento ambiental para utilização de rejeito e estéril de mineração;
  • alterar o mapa de biomas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e excluir da delimitação da Amazônia as áreas com características de Cerrado;

cancelar a consulta ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para empreendimentos agrossilvipastoris consolidados – sistemas agroflorestais em que árvores são associadas com cultivos agrícolas e atividade pecuária –, com atividade preexistente a 22 de julho de 2008.

Secretaria contesta

A Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia nega que tenha solicitado alterações nas regras ambientais. De acordo com nota da secretaria (leia a íntegra ao final desta reportagem), as solicitações são encaminhadas “para análise e avaliação dos órgãos competentes, sem nenhum julgamento prévio”. Segundo a nota, proposições — mesmo as “sensíveis” — de representantes do setor produtivo “precisam ser encaminhadas ao órgãos competentes para análise, não cabendo à SEPEC descartá-las de antemão”.

Mas no ofício em que o Ministério da Economia encaminha as propostas do setor privado, a pasta afirma que está “à disposição para esclarecimentos adicionais e apoio no que for necessário com o fito de superarmos as dificuldades apontadas como geradoras de custos adicionais ao empreendedorismo brasileiro”. Ainda no documento, o Ministério da Economia diz que enviou a relação de propostas para avaliação do Meio Ambiente “com o fito de imprimir continuidade e efetiva resposta às demandas apresentadas pelo setor privado”.

Foto: divulgação

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