A 3ª DOSE SERÁ BOM PARA SAÚDE E PARA A ECONOMIA – POR ARMANDO AVENA

A 3ª DOSE SERÁ BOM PARA SAÚDE E PARA A ECONOMIA - POR ARMANDO AVENA

O sistema econômico é como uma bicicleta: se parar de pedalar cai. É pedalando que os empresários pagam salários, impostos e taxas e repõem os estoques. A pandemia parou várias vezes a bicicleta da economia e os resultados foram dramáticos e podem ser medidos pelas milhares de empresas quebradas e pelos milhões de brasileiros desempregados e endividados. O aumento da vacinação em todo país e a redução de casos, com o fim da pressão sobre as UTIs, permitiu a retomada da atividade econômica, mas,  infelizmente, o quadro verificado no ano passado começa de se repetir, com a variante delta tornando-se dominante e os casos de Covid 19 aumentando em vários países do mundo, inclusive no Brasil, como é o caso do Rio de Janeiro onde parte expressiva dos novos casos  são de idosos que já tomaram a segunda dose, comprovando estudos que demonstram a redução da imunidade após determinado período.

Ora, sendo assim, seria lógico implementar imediatamente a aplicação de uma 3ª dose naqueles idosos que já completaram o esquema vacinal, para assim fazer frente a variante delta que vai  aumentar os internamentos e elevar  a taxa de ocupação de UTIs, o que exigirá novo fechamento das atividades. É o que estão fazendo neste momento vários países, a exemplo do Chile e do Uruguai.

A lógica é perfeita, mas o que diz a medicina. Consulto a Dra. Nanci Silva, infectologista e professora da Escola Bahiana de Medicina, que lembra inicialmente que foram as vacinas que derrubaram o número de internações. A Dra. Nanci ressalta que é  preciso vacinar toda a população com duas doses, mas reconhece a queda  no número de anticorpos ao longo do tempo, especialmente nos idosos e admite que seria útil a terceira dose. Pesquisa da Fiocruz sobre isso  está em andamento em Salvador e São Paulo e indago então se é razoável supor que aplicação imediata da 3ª dose nos idosos contribuiria para o enfrentamento da variável delta. “Sim, é plausível, esse vírus veio para ficar e vai demandar doses de reforço”, responde a infectologista.

O Secretário de Saúde do município, Léo Prates, também é favorável, lembra que o Ministério da Saúde precisa autorizar e que ainda não autorizou sequer a vacinação de adolescentes, mas diz que Salvador estaria pronta para aplicar a 3ª dose nos idosos. Sendo assim, é imperioso que o governo federal passe a trabalhar com a hipótese de aplicação imediata da terceira dose. Aliás, a Secretária de Enfrentamento à Covid 19 do Ministério da Saúde, Rosana Mello,  admitiu, em audiência no Senado, que já planeja a aplicação da 3ª dose nos idosos, paralelamente à vacinação de adolescentes. E governadores e prefeitos devem lutar para que isso seja feito o mais rápido possível.  Será bom para a saúde e para a economia.

                             SALVADOR E A 3ª DOSE

A população adulta de Salvador estará vacinada com a 1ª dose até sábado. O secretário de saúde do município, Léo Prates, afirma que até novembro, ou antes, toda a população adulta de Salvador estará vacinada com duas doses. Ele diz que  trabalha para acabar com o buraco de vacina, cerca de 97 mil pessoas, a maioria jovens, que não tomou a 1ª dose e 49 mil que precisam completar a 2ª dose. Sobre a possibilidade de aplicação imediata da 3ª dose nos idosos, mostra-se  inteiramente favorável e propõe que ela seja  heteróloga, isto é, seja aplicada uma vacina diferente da anterior. Com a 3ª dose para os idosos, Salvador, mantendo os protocolos, terá um verão de crescimento econômico.

                    A  BAHIA E OS PRECATÓRIOS

Estados e municípios são os principais credores dos precatórios, dívidas com valor acima de R$ 66 milhões que o governo federal está propondo parcelar em 10 vezes. A Bahia tem R$ 8,8 bilhões que iria receber à vista em 2022 e seria o estado que mais perderia no Brasil. Todos os estados do Nordeste são contra a medida, mesmo com a proposta de fazer um encontro de contas com as dívidas existentes. A reforma do Imposto de Renda que tramita no Congresso também prejudica os estados do Nordeste. Isso porque o Fundo de Participação dos Estados, feito para compensar os mais pobres, é composto por 22,5% da arrecadação do Imposto de Renda e da forma como está a proposta a arrecadação  vai cair.

Publicado no jornal A Tarde em 19/08/2021

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