OS JUROS  E O CANTO DAS SEREIAS – POR ARMANDO AVENA

OS JUROS  E O CANTO DAS SEREIAS - POR ARMANDO AVENA

A economia brasileira está voltando a ser emparedada pela inflação, por juros altos e pelo desemprego. O Copom – Comitê de Política Monetáriaaumentou a taxa de juros em 1%. Assim, a taxa Selic terá aumentado quase 200% em quatro meses e já está precificado que em dezembro de 2021 ela será de 7,5% ao ano. A retomada da economia passará a ter uma trava, não imediatamente porque existe um delay entre a ação e reação, mas já a partir do último trimestre de 2021.  No primeiro momento, o crescimento nominal da arrecadação e do faturamento das empresas, bem como a comparação com o ano morto que foi 2020, dará a impressão de que um pouco de inflação é bom para o crescimento, mas é só impressão.

O governo já admite que a inflação, medida pelo IPCA, será de quase 7% em 2021, bem acima do teto da meta, mas pode chegar a 8%. Isso porque a inflação está sendo potencializada pela combinação de choque de demanda, aumento repentino na procura de bens pós pandemia, elevação nos preços das commodities, aumento de preços nos combustíveis e na energia e desvalorização cambial. Esses fatores estão disseminando a inflação por toda a cadeia produtiva.

Quando se junta inflação de 8% ao ano, com 15 milhões de desempregados, dólar valorizado e juros em alta, o resultado é sempre ruim. A inflação reduz a demanda, o aumento nos juros encarece o crédito e reduz o consumo e o investimento e a pequena melhora nas contas públicas que ora se verifica é corroída pela queda no crescimento do PIB e pela rolagem da dívida que ficará mais cara com a elevação dos juros. O pior é que, como um Ulisses encantado com o canto da sereia, muitos analistas não percebem a tempestade se formando. O canto vem de Paulo Guedes, que quer aprovar no Congresso um arremedo de reforma tributária que aumente os impostos e, além disso, furar o teto de gastos adiando o pagamento de precatórios. São medidas que trazem de volta o risco fiscal, e não vão gerar recursos para ampliar o emprego ou o investimento, mas apenas viabilizar a ampliação do Bolsa Família com seus dividendos eleitorais.

 É verdade que existem alguns avanços no âmbito da modernização da economia, com as concessões e a privatização da Eletrobrás e dos Correios, mas os fundamentos econômicos estão sendo corroídos. Sem uma política econômica efetiva, com a política fiscal e monetária frouxa, só resta ao Banco Central aumentar os juros, para assim conter a escalada de preços. Com isso, a economia brasileira vai crescer em 2021, pois ainda existe uma demanda contida especialmente na classe média, mas já no final do ano o Brasil voltará a ser o que sempre foi: o país dos juros altos, da carga tributária nas alturas, do déficit fiscal, do desemprego crescente e do crescimento econômico pífio.

                     RETOMAR O TURISMO EM SALVADOR

Com 80% da sua população alvo vacinada com a 1ª dose e cerca de 35% com a 2ª dose, Salvador está pronta para retomar a atividade turística, mantendo, claro, os protocolos para assim se precaver da variante delta. Mas para isso é fundamental o apoio do governo do Estado e da Prefeitura. É indispensável, por exemplo, a realização de campanhas de divulgação do destino Salvador, o estabelecimento de normas para a realização de eventos e a retomada do turismo de negócios. Recife já recuperou o tempo perdido e os números sobre a movimentação de passageiros no aeroporto Guararapes subiu 20%  no 1º semestre de 2021, em relação a 2020, enquanto o aeroporto de Salvador registra queda de 0,10%.

                      MOVIMENTAÇÃO DE PASSAGEIROS

A movimentação de passageiros no Aeroporto Internacional de Salvador no 1º semestre de 2021 atingiu 1,89 milhões de pessoas, igualando-se ao patamar de 2020. É um sinal de recuperação, mas inferior à movimentação verificada, por exemplo, no aeroporto do Recife, que foi de 2,6 milhões, representando um crescimento de 20%. O aeroporto do Recife tornou-se a principal porta de entrada no Nordeste, mas é possível reverter esse quadro. A ampliação dos voos da Gol foi um primeiro passo, agora é preciso estimular novas rotas, fazer campanhas de divulgação no país e negociar, com testagem e comprovante de vacinação, a retomada do fluxo de turistas argentinos e chilenos. Os dados são da Anac.