A VARIANTE DELTA E A ECONOMIA BAIANA – POR ARMANDO AVENA

A VARIANTE DELTA E A ECONOMIA BAIANA - POR ARMANDO AVENA

Uma nova onda de casos da Covid-19 causada pela variante delta preocupa o mundo inteiro e pode ter  impactos na economia. Mesmo nos países ricos, cuja maior parte da população está vacinada, o contágio está aumentando, embora o avanço da vacinação garanta um número menor de internações e de mortes. A variante delta vai se tornar dominante no Brasil e na Bahia e uma nova onda de contágio pode frear o processo de retomada da economia, que recém se iniciou e não atingiu ainda os segmentos mais afetados pela pandemia.

Por isso, mormente o excelente trabalho que vem realizando no que se refere à vacinação, o governo do Estado e a Prefeitura de Salvador  precisam estabelecer imediatamente uma plano de ação para enfrentar a nova onda de contágio, mas esse plano não pode mais estar baseado na implementação de medidas restritivas generalizadas e no fechamento do comércio e de outras atividades.

Após 16 meses de sufoco econômico, as empresas baianas, aquelas que sobreviveram, chegaram ao limite e outra onda de restrições pode gerar um processo de desagregação da economia, com a quebradeira de empresas e a destruição de empregos. Não faz sentido, por exemplo, desmobilizar neste momento os leitos preparados para Covid-19. Argumenta-se que o custo de manutenção dessa estrutura e o cenário epidemiológico favorável recomendariam a medida, mas parece prematuro, afinal, qual o ganho em desmobilizar agora para re-mobilizar logo depois, sem esquecer que o tempo necessário para a nova mobilização exigirá novo fechamento das atividades econômicas.

É verdade que  o avanço da vacinação deve reduzir o número de mortes, mas, dado o grau de contágio da nova variante, é provável que seja crescente a necessidade de leitos para internação, como vem ocorrendo em outros países. Assim, as secretarias de saúde, ao invés de desmobilizar leitos, deveriam estar preparando novas formas de enfrentar o problema. Está mais do que provado que,  submetidos aos protocolos  recomendados, a abertura do comércio e das atividades econômicas não são responsáveis pela disseminação do vírus e as autoridades precisam atuar em outras frentes.

A ampliação do transporte urbano, inclusive com transporte alternativo e a obrigatoriedade do uso de máscaras, o maior policiamento em relação às aglomerações e festas, bem como a atuação focada nos bairros com  maior contágio  e outras medidas diferenciadas precisam ser avaliadas. Vale lembrar que a  taxa de desemprego na Bahia está em 22% e incluindo os desalentados  atinge 30% da população segundo o IBGE, e que 68% das famílias de Salvador estão endividadas. Adotar novas medidas restritivas indiscriminadamente num cenário como esse implicará na destruição de empregos e empresas.

                                  RECEITA DE INFLAÇÃO

 Em junho, a inflação acumulada nos últimos 12 meses ficou em 8,35%. É a maior taxa desde setembro de 2016.  Há sinais de que a inflação vai acelerar, mesmo com os aumentos na taxa de juros. Os sinais são claros: os combustíveis estão entre os itens que mais tiveram alta nos últimos 12 meses e essa inflação se dissemina por todos os preços da economia. O aumento do preço da energia elétrica vai na mesma linha. Além disso, o preço das matérias primas e commodities cresceram exponencialmente e vários setores estão repassando preços, a exemplo da construção civil. Some-se a isso, incerteza política, risco fiscal e certa indexação na economia e a receita está pronta.

                                VIADUTOS DEMAIS

 A concepção arquitetônica que privilegia o uso de viadutos para melhorar a mobilidade urbana nas cidades está em desuso no mundo inteiro e as metrópoles estão derrubando seus viadutos. Mas as intervenções urbanas em Salvador vem privilegiando essa concepção. O projeto do BRT, por exemplo, é importante para viabilizar um transporte público mais moderno e mais integrado. Mas o excesso de viadutos trabalha contra o projeto. A obra ainda não está pronta, mas já há gargalos criados pelos próprios viadutos, a exemplo da pista em direção ao Iguatemi que gera grandes engarrafamentos e do viaduto da pista contrária que desemboca no Parque da Cidade e surge de repente no meio Av. ACM.

Publicado no jornal A Tarde em 22/07/2021