A PANDEMIA E A DESTRUIÇÃO CRIADORA

A PANDEMIA E A DESTRUIÇÃO CRIADORA

O capitalismo tem como base a concorrência entre empresas e beneficia aquelas mais aptas e que se adaptam melhor às crises. A pandemia e as medidas restritivas geraram uma crise econômica que atingiu a todos, mas uns sofreram mais que outros. No sistema capitalista, a crise é sempre um processo de “Destruição Criativa”, para usar a expressão do economista Joseph Schumpeter.  É destruição porque muitas empresas vão à falência nesse processo, mas é criativa porque muitas outras sobrevivem, seja porque não foram tão afetadas, reduziram custos ou reformularam sua produção e sua inserção no mercado.

Schumpeter argumenta que a inovação tecnológica e o empresário inovador são a essência do capitalismo. Quando um empresário inovador, em busca de lucrar mais, introduz uma inovação tecnológica ou um novo método de produção ele gera uma crise, pois torna-se mais competitivo e destrói as empresas que não tem recursos ou tecnologia para seguir o mesmo caminho. É simples perceber isso: a introdução da tecnologia dos aplicativos tipo Ifood, Uber, Airbnb aumentou drasticamente a competitividade nesses setores e as empresas precisam inovar seu produto ou serviço, senão vão quebrar. Esse é o processo de crise e renovação, a destruição criadora: muitas empresas quebram, mas as que ficam serão mais competitivas.

Pode-se fazer uma analogia com a Covid-19, pois a pandemia e as medidas restritivas introduziram na economia uma inovação perversa, que suprimiu a normalidade dos mercados e fez com que alguns setores sofressem uma ruptura extrema enquanto outros ficaram neutros ou se beneficiaram do processo. Basta ver que os empresários ligados ao turismo, ao setor de serviços e ao setor educacional, por exemplo, sofreram muito mais do que os do agronegócio ou do setor imobiliário. E então começa a destruição criadora, dentro de cada setor e na economia como um todo. É justo que os setores mais afetados busquem a proteção do Estado, pelo menos enquanto durar a pandemia.

Mas a crise muda o normal, cria um “novo normal” e para enfrentá-lo será necessário agir como um  empresário schumpteriano  capaz de reformular seu negócio, reduzir custos, mudar de ramo se necessário, criar sinergias, introduzir tecnologia e novos produtos, novas formas de produção, novos modelos de organização ou abrir novos mercados. Falar é fácil diria o leitor, afinal após 15 meses de pandemia, de abre e fecha da economia, as empresas chegaram ao limite e descapitalizadas sequer conseguem pensar em investir. É verdade, mas, apesar disso, a destruição/criadora está em curso, basta ver que a quantidade de empresas que fecharam é menor do que aquelas que estão sendo abertas. É duro, mas é próprio do capitalismo.

BAHIA: COMÉRCIO EM ALTA
As vendas no varejo baiano em abril cresceram 10% em relação ao mês anterior e 36% em relação a 2020.  As vendas de eletrodomésticos, cresceram 150%, de tecidos, vestuário e calçados aumentaram em 200% e as  de móveis tiveram incremento de 100%. Esse desempenho reflete a comparação com a base deprimida do ano passado, mas indica também a volta da classe média que,  presa em casa,  só fazia poupar e agora volta ao consumo. E até a venda de veículos cresceu 140% em abril. O único setor em queda foi o de hipermercados e supermercados, pois o auxílio emergencial ainda não trouxe de volta o consumidor de baixa renda. No acumulado do ano, as vendas no varejo cresceram 5%.

 O PIB DA BAHIA TAMBÉM CRESCEU

Um sinal de retomada da economia baiana foi o crescimento de 1% no PIB no 1º trimestre de 2021, estabelecendo uma tendência, pois nos dois trimestres anteriores também houve incremento. O diretor de estatísticas da Sei, Armando Neto, órgão que calcula o PIB, estava certo quando disse em primeira mão a esta coluna que o crescimento seria positivo. E o vice-governador e  secretário do Planejamento, João Leão, a quem a SEI está vinculada, comemora: “ O crescimento do PIB e os dados do varejo  reforçam a percepção de que o estado está se recuperando da crise”. Alguns setores, como a indústria de transformação e o turismo se recuperam devagar, mas até o setor de serviços cresceu 0,4%.

Publicado no jornal A Tarde em 10/06/2021