Apesar da polêmica e do recrudescimento da Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que o país vai sediar a Copa América. Com muitos estados, inclusive a Bahia, sem um estádio nos moldes exigidos pela Conmebol disponíveis, justamente por terem sido transformados em hospitais de campanha para atender pacientes com a doença, somente o Distrito Federal, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Goiás vão receber partidas do torneio.
Deputados federais baianos que são de oposição a Bolsonaro, condenaram a decisão do presidente de aceitar abrigar a competição, recusada por Colômbia e Argentina, em meio à pandemia que já vitimou 463 mil brasileiros. Em conversa com o grupo A TARDE, o deputado Daniel Almeida (PCdoB) diz que este é mais um gesto de Bolsonaro para demonstrar a sua “falta de apreço pela vida”. Ele diz que não há nenhuma razão, seja para melhorar a “imagem” do país, seja pelo ponto de vista econômico, para ter a competição no país.
“Ele faz questão de demonstrar que não tem compaixão, demonstrar a falta de apreço pela vida”, declarou o deputado. Segundo Daniel Almeida, sediar a Copa América é mais uma “cortina de fumaça” propagada por Bolsonaro para desviar das cobranças de parte dos brasileiros, que ocuparam as ruas no último fim de semana em protesto contra o seu governo. “Ele quer desviar de todas as cobranças que o Brasil faz em relação a ele, é mais uma tentativa de ‘cortina de fumaça’, lamentável […] os movimentos neste fim de semana significaram em uma pressão grande nas ruas e nas redes”, analisou.
Charles Fernandes, deputado federal pelo PSD-BA, lembrou que os Jogos Olímpicos de 2020 foram cancelados em razão da pandemia e minimizou a importância da Copa América neste cenário, apesar de se declarar fã do esporte. Sem público nos estádios para gerar receita e fomentar o turismo, o parlamentar não vê “nenhum ganho” para o país. O deputado destaca que nenhum outro país na América do Sul aceitou sediar a competição, e que só realmente “Bolsonaro” para compactuar com a realização do torneio.
“Nenhum país sulamericano aceitou receber nesse momento, Chile mais bem preparado, o Uruguai, pois sabem do problema de receber gente de fora do país, o momento é delicado. Confesso que sou amante do futebol, apaixonado pelo futebol brasileiro, mas só Bolsonaro para querer uma coisa dessas”, criticou.
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