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WAJNGARTEN DIZ QUE GOVERNO NÃO RESPONDEU CARTA DA PFIZER

Redação - 12/05/2021 16:38 - Atualizado 12/05/2021

O ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro Fabio Wajngarten afirmou que o governo federal não respondeu a uma carta enviada pela farmacêutica Pfizer em que a empresa norte-americana consulta a intenção do Ministério da Saúde em comprar vacinas contra a covid-19.

A declaração foi feita na manhã desta 4ª feira (12.mai.2021) em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, que investiga ações e omissões do governo federal durante o combate à pandemia de covid-19 e também o uso de recursos federais repassados a Estados e municípios.

Wajngarten entregou uma cópia da carta à CPI. Eis a íntegra do documento (241 KB).

“A carta foi enviada dia 12 de setembro. O dono de um veículo de comunicação me avisa em 9 de novembro que a carta não foi respondida. Nesse momento, envio um e-mail ao presidente da Pfizer. 15 minutos depois, o presidente da Pfizer no Brasil – eu liguei para Nova York -, me responde. Ele me diz: ‘Fabio, obrigado pelo seu contato’”, afirmou.

O ex-secretário de Comunicação disse ainda que fez uma reunião com Carlos Murillo, CEO da farmacêutica: “Estive com o CEO Carlos Murillo, em Brasília, pela 1ª vez, no meu gabinete, em 17 de novembro, no Palácio. Eu, o meu assistente, o senhor Carlos Murillo e a diretora de Comunicação da Pfizer, nesse dia, 17 de novembro. Nesse encontro o CEO da Pfizer, o senhor Carlos Murilo, me agradeceu por ter respondido a carta e nada mais. Ele disse: ‘Eu quero que o Brasil seja a vitrine na América Latina na vacinação da Pfizer’”.

Wajngarten também declarou que a Pfizer garantiu que, caso o governo brasileiro tivesse respondido a carta com agilidade, teria melhores condições de compra do imunizante.

“Havia uma promessa da Pfizer de que se o Brasil se manifestasse, no tempo adequado, que ela envidaria os maiores esforços em aumentar a quantidade e diminuir o prazo. E foi exatamente isso que eu exigi deles nos 2 outros encontros que tive com eles”, afirmou.

O publicitário também negou ter negociado a compra de vacinas em nome do governo federal. Segundo ele, seu papel foi apenas “encurtar o caminho” para um acordo.

“Eu não fiz negociação. Meu intuito foi ajudar, criar atalhos e encurtar o caminho para que a população brasileira tivesse acesso à melhor vacina. Eu não participei de negociação propriamente dita. Eu quis aproximar pontas diante da negativa de uma carta que não foi respondida, e a Comunicação sofria, em razão das inúmeros questionamentos que a gente recebia”, declarou.

“O senhor pode imaginar qual era a pressão da imprensa em atacar o governo, dizendo que não tinha vacina, e a quantidade de mortos e contaminados aumentando toda hora. Eu adoraria que todos os brasileiros tivessem sido vacinados pela Pfizer, porque é uma vacina com 96% de eficácia”, concluiu.

Wajngarten foi demitido em março, depois de especulações de atritos com a equipe gerenciada pelo então ministro da Saúde Eduardo Pazuello. No depoimento, jogou culpa por atraso na vacinação no general que chefiou a Saúde, eximindo o presidente Jair Bolsonaro de culpa.

A versão contradiz ações do próprio presidente. Em 21 de outubro de 2020, Bolsonaro determinou o cancelamento da compra de 41 milhões de doses da CoronaVac, da China. A compra tinha sido acertada pelo então ministro da Saúde.

No dia seguinte, em 22 de outubro de 2020, Bolsonaro visitou Pazuello, que se recuperava de covid-19. O então ministro da Saúde disse, em vídeo, uma frase que equivale a assumir que era subordinado das ordens do presidente: “Senhores, é simples assim. Um manda e o outro obedece, mas a gente tem um carinho, dá pra desenrolar”

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