A DECLARAÇÃO DE LULA, A MOVIMENTAÇÃO DE ROMA, E OS TIMES QUE VÃO DISPUTAR O GOVERNO DA BAHIA

A DECLARAÇÃO DE LULA, A MOVIMENTAÇÃO DE ROMA, E OS TIMES QUE VÃO DISPUTAR O GOVERNO DA BAHIA

Os nomes que vão disputar a eleição para governador da Bahia em 2022 ainda não estão escalados e sequer se sabe quais serão as equipes que vão disputar o tão desejado título. Mas começa a haver sinais dos caminhos que cada agremiação pode trilhar. No caso do ex-prefeito ACM Neto, que lidera as pesquisas de intenção de votos na Bahia, o grande desafio é definir a aliança nacional, ou seja, decidir qual candidato à presidência vai se vincular. Neto tem criticado de forma explícita algumas posturas do governo federal e não teria muito a ganhar aliando-se ao Presidente Bolsonaro, que possui enorme rejeição na Bahia, por isso tudo indica que deverá optar, pelo menos no primeiro turno, por uma terceira via na disputa presidencial.

O problema no arco da oposição ao governo estadual é a posição do atual Ministro da Cidadania, João Roma, cuja movimentação política mostra que foi mordido pela mosca azul e parece cada vez mais inclinado a arriscar-se em uma candidatura ao governo do Estado, abrigado sob o manto do Presidente Bolsonaro, que fontes palacianas indicam estar estimulando diretamente seu ministro a se jogar de cabeça na disputa.

Roma tem se movimentado bem, mas ainda é um desconhecido nos grotões do estado e ainda não percebeu que na Bahia não se ganha eleição para governador sem uma azeitada rede de prefeitos do interior fechada com a candidatura. De todo modo, se Roma insistir na aventura, vai tirar alguns votos do ex-prefeito, mas ficará restrito aquele grupo radical de direita que não tem muito espaço na Bahia.

No caso do Partido dos Trabalhadores, o grande problema seria como manter a aliança que até agora foi vitoriosa na Bahia e colocar no time os 4 principais jogadores, quando só existem 3 vagas. Nesse time, o senador Jaques Wagner já se colocou como candidato ao governo, mas, ao que parece, o problema é onde colocar o craque do time, o governador Rui Costa, que nas pesquisas para o senado pontua com quase  50% de votos e tem baixa rejeição.

É tão forte a posição de Rui, que deputados da oposição não escondem o desejo de que ele permaneça no governo, o que pode ser um tiro no pé  nas pretensões do PT e de Lula que precisa de uma base forte na Bahia para alavancar sua volta à Presidência da República. Mas nesse caso, como escalar  o senador Otto Alencar e o vice-governador João Leão que são indispensáveis para viabilizar o sucesso nas eleições. Uma declaração do presidente Lula na semana passada pode dar o caminho a seguir. Lula afirmou aos dirigentes nacionais do PT a intenção de evitar o lançamento de candidaturas a governador no ano que vem, a não ser nos estados em que o nome do PT seja favorito ou no mínimo dispute a cabeça com cabeça a liderança do pleito. (EP – 12/04/2021)

Ora, no caso da Bahia, o ex-governador Jaques Wagner tem mais 4 anos garantidos no Senado e registra nas pesquisas alta taxa de rejeição e um percentual que é metade da intenção de votos do seu principal opositor, o ex-prefeito ACM Neto, havendo, portanto, possibilidade de seguir o conselho de Lula, engajando-se na equipe do ex-presidente e deixando que a chapa na Bahia tenha apenas 3 postulantes. Essa hipótese facilitaria a arrumação de interesses, mas não seria fácil convencer os caciques petistas na Bahia.

Como se vê, os times que vão disputar a eleição para o governo da Bahia ainda não estão armados e ainda vai ter muita conversa antes que a escalação seja anunciada.