EDITORIAL: EMPRESÁRIOS ESTÃO LUTANDO CONTRA O INIMIGO ERRADO

EDITORIAL: EMPRESÁRIOS ESTÃO LUTANDO CONTRA O INIMIGO ERRADO

Parece que os empresários brasileiros ainda não perceberam que a vacina é a única salvação para a economia e o único antídoto contra as lojas fechadas. E assim ficam esbravejando contra o lockdown e outras medidas restritivas, quando esta é a única saída para enfrentar o vírus enquanto não se dissemina a vacina.

Os empresários, especialmente os pequenos e médios, foram um dos segmentos que mais sofreram na pandemia, e muitos deles ainda lutam para evitar o fechamento de suas empresas, mas, apesar disso, permanecem atirando contra o alvo errado, atacando governadores e prefeitos por causa das medidas restritivas, como se algum deles estivesse satisfeito em fechar o comércio e a economia.

Na verdade, é o contrário, ao fechar a economia governadores e prefeitos também fazem um lockdown, ou quase, na arrecadação, pois caindo a atividade econômica cai a geração de impostos e isso sem contar o aumento de gastos com o sistema de saúde. As críticas afirmando que os hospitais de campanha nunca deveriam estar fechados não procedem, afinal seria desperdício de recursos manter equipes médicas e toda a infraestrutura hospitalar quando o número de pacientes chegou a zero. Nem a China fez isso. Tampouco faz sentido colocar a culpa na população que está, como todos nós, cansada da pandemia e busca um pouco de ar nesse deserto de oxigênio.

A culpa não é dos governadores e prefeitos que estão acuados pela Covid-19. E não adianta dizer que o governo federal está enviando dinheiro para os estados como se isso fosse desculpa para a inércia no relacionado às vacinas.

O que os empresários deveriam estar fazendo e não estão, pelo menos com a mobilização necessária, era exigir do governo federal a compra imediata e a distribuição de vacinas. As associações de classe deveriam estar dando declarações, publicando notas, organizando assembleias, fazendo toda a mobilização possível para que o governo federal compre as vacinas. Os empresários que são especializados em gestão de seus negócios, deveriam estar indignados com a lentidão das negociações do governo federal com, por exemplo, a Pfizer, uma vacina já aprovada de forma definitiva pela Anvisa e que, por causa de cláusulas que a maioria dos países do mundo aceitaram, estão emperradas desde agosto. E o que emperra a negociação é uma piada: quem será responsável judicialmente pelos efeitos colaterais de uma vacina que praticamente não tem efeitos colaterais? E os mesmo se dá com a Sputinik V, uma vacina que já poderia estar sendo distribuída no Brasil.

O governo federal, o Ministério da Saúde, agem como jamais agiriam os empresários que trabalham com objetivo e foco na resolução dos problemas. E, no entanto, as lideranças empresariais estão caladas, não há manifestações expressas da Fiesp, do sistema Fecomércio, da CNT, ou da CNA. Todos estão imobilizados pela retórica do Presidente da República. É hora, portanto, dos empresários mobilizarem suas lideranças políticas e as associações que os representam para exigir do governo federal a compra e distribuição de vacinas.

Armando Avena – Escritor, economista e editor-chefe do portal Bahia Econômica