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EQUIPE DE BELO DIZ QUE PRISÃO É PRECONCEITO COM O PAGODE

Redação - 18/02/2021 10:33 - Atualizado 18/02/2021

A assessoria de comunicação do cantor Belo, preso na tarde da última quarta-feira (17) após a realização de um evento musical clandestino no Complexo da Maré, afirmou que a situação envolvendo o ex-Soweto mostrava o preconceito da polícia e da população com a favela e o pagode.

Em um comunicado divulgado nas redes sociais, os representantes do artista pontuaram que a apresentação aconteceu de forma legal com comprovação de notas fiscais e outros documentos que foram entregues às autoridades.

O texto fala ainda que a ação da polícia não acontece de forma tão intensa em outros bairros do Rio de Janeiro, como a Zona Sul, onde acontecem shows de gêneros musicais não tão negligenciados como o pagode.

“O cantor Belo, sua família e equipe estão surpresos e consternados com o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 17, no âmbito da investigação sobre a apresentação do músico em evento no último sábado, 13, no Complexo da Maré, Zona Norte da capital fluminense. O show foi legalmente contratado pela produtora Série Gold, conforme comprovam notas fiscais e outros documentos já entregues às autoridades.

O espanto se dá em razão da prisão ter ocorrido mesmo após parecer contrário do Ministério Público (MP) e também da falta de isonomia quando se trata de apresentações artísticas durante a pandemia da Covid-19, pela qual Belo teve a saúde acometida há três meses e a agenda cancelada integralmente há um ano.

O cantor retomou há pouco uma agenda parcial de shows, com compromissos ainda insuficientes para reverter o prejuízo dos meses em que esteve impedido de trabalhar, enquanto indústria, comércio e outras atividades de lazer — inclusive as casas de show — voltaram a funcionar, ainda que com restrições. Como qualquer brasileiro, Belo é um cidadão com contas a pagar por meio de sua atividade profissional e sempre o fará sem distinções, principalmente de classe social.

Completa o estado de choque do cantor o fato de que o evento de sábado não foi o primeiro e nem será o último em que aglomerações fugiram do controle dos organizadores. No entanto, chamou atenção das autoridades, de maneira mais expressiva, justamente um episódio na Maré, uma das maiores favelas cariocas, onde eventos culturais já são comumente reprimidos pela ideia de que os moradores de comunidades não merecem vivenciar a arte da mesma maneira do que aqueles que residem em áreas mais ricas da cidade.

Ecoando o questionamento feito ao longo do dia nas redes sociais, a equipe de Belo também se pergunta se a situação seria a mesma caso o show ocorresse em bairros da Zona Sul e com artistas de gêneros musicais menos negligenciados do que o pagode. Um exemplo dessa distinção é o fato de não haver registro de prisões na interdição de um baile de carnaval”

foto: Instagram

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