Em janeiro, a taxa de famílias endividadas em Salvador atingiu 61,9%, 1,5 ponto percentual abaixo de dezembro (63,4%), porém ainda muito acima dos 45,5% vistos no mesmo período do ano anterior. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio-BA. Atualmente, são 575 mil famílias soteropolitanas com algum tipo de dívida, 13,2 mil a menos que dezembro e -45,6 mil em relação ao pico do ano passado, setembro (66,9%).
“A redução do endividamento não é necessariamente uma boa notícia. Isso está ocorrendo pela cautela das famílias em gastar e contrair crédito diante de um cenário de incertezas e aumento de preços de alimentos, principal grupo de consumo das famílias. E com a chegada da segunda onda da pandemia, os bancos, por sua vez, também estão tornando o crédito mais seleto para os consumidores, pois veem o risco da inadimplência aumentar novamente”, explica o consultor econômico da Fecomércio-BA, Guilherme Dietze.
Outro grande problema é que o maior tipo de dívida está no cartão de crédito, 95 a cada 100 consumidores de Salvador precisam acertar a fatura até a data do seu vencimento. Em segundo lugar vem os carnês com 7,4%. “Ou seja, as famílias estão encontrando mais facilidade no cartão de crédito, o que pode ser um perigo para quem não sabe usar ou está no desespero para manter o consumo básico da família. Mesmo numa situação extrema, é importante ter calma e negociar com o banco alguma saída mais adequada como o crédito pessoal ou o consignado, com taxa de juros muito mais baixas”, pontua o economista.
A taxa de famílias que não conseguiram pagar a dívida até a data do vencimento, consideradas inadimplentes, caiu de 27% em dezembro para os 26% neste primeiro mês. “São 241,5 mil famílias nessa situação, porém bem abaixo dos 286 mil vistos no bimestre de agosto e setembro. De qualquer forma, é um bom sinal de que os feirões de limpa nome e a renda via emprego estão contribuíram para ajustar o orçamento”, destaca o consultor.
Guilherme cita ainda que, com a chegada da segunda onda do covid-19 o cenário deve voltar a piorar. “Adiciona a isso o aumento persistente dos preços de alimentos e bebidas que, na Região Metropolitana de Salvador, passou dos 14% no ano passado. E como as empresas devem esperar os resultados das vacinações para voltar a se programar em investimentos e contratações, o cenário de risco aumenta e com isso pode voltar a ter novos descontroles, principalmente, da inadimplência”, justifica Dietze.
Evidentemente, quando se falar em descontrole, não há no horizonte um quadro de explosão no número de inadimplentes, mas de uma possível reversão da curva ou estabilização dela nos próximos meses. Até porque, mesmo com possível aumento de desemprego no primeiro trimestre e fim do auxílio emergencial, muitas famílias conseguiram poupar no ano passado ao não viajar, não comer fora de casa e etc. E a poupança pode ser uma alternativa para equilibrar as contas. Todavia, é uma ajuda momentânea, pontual.
No curto prazo, a Fecomercio-BA orienta os consumidores a sempre negociarem com os bancos, financeiras, lojas e prestadores de serviços, condições melhores de pagamento.
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