‘CIDADE FEDE’, DIZ MORADOR DE TEIXEIRA DE FREITAS APÓS CALAMIDADE

‘CIDADE FEDE’, DIZ MORADOR DE TEIXEIRA DE FREITAS APÓS CALAMIDADE

Os moradores de Teixeira de Freitas, no Sul da Bahia, viram o lixo se acumular nos bairros por sete dias consecutivos. A situação teve início no dia 29 de dezembro, após a interrupção do serviço antes do prazo acordado em contrato com a empresa responsável pela coleta desde a gestão anterior, e durou até essa segunda-feira (4). Além de ter o lixo presente nas esquinas e nas portas das casas, a população precisa lidar com o mau cheiro que, a cada dia, fica pior. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Teixeira de Freitas tem 160 mil habitantes e produz uma média diária de 350 toneladas de lixo.

Bagunça e fedor insuportável

A universitária Luiza, 23 anos, que preferiu não dizer o sobrenome, afirmou que é assustador ver como o lixo nas ruas aumenta diariamente. “Nasci e cresci em Teixeira de Freitas e nunca vi tanto lixo nas ruas. Toda vez que saio de casa, me assusto com a quantidade de lixo crescente em todo lugar”, diz. Ao falar do odor, ela lembra o fato de o lixo da cidade não ser separado, o que faz com que o cheiro dos sacos fique insuportável. “O lixo aqui não é separado, qualquer sacola pode e, normalmente, tem matéria orgânica. Quando bate esse sol de verão, é como se fizesse um cozido de tudo que está dentro da sacola. O cheiro é intenso e desagradável, a quantidade de insetos também está aumentando”, completa.

O empresário Thales Carvalho, 23, também reclama. Ele contou que, mesmo subindo os vidros do carro quando sai na rua, não consegue evitar o odor. “Tem bastante lixo na rua, a cidade está fedendo. Em alguns pontos, se você passar com os vidros do carro fechado, você consegue sentir. É um odor muito forte em pontos mais específicos. Não sei a realidade da cidade toda, mas, como trabalho com comércio, praticamente recebo pessoas de todos bairros que reclamam bastante”, relata. O empresário conta que a situação do lixo estava tão insustentável que se juntou a outras pessoas para retirar sacos acumulados do lugar onde mora. “Na minha rua, eu ainda consegui tirar o lixo da rua porque tenho uma caminhonete. Me juntei com o pessoal e levamos para o lixão porque não tinha condição, tava fedendo muito. Ficava cheio de urubu e mosquito, a situação estava feia”, lembra.

Decreto de calamidade pública

Segundo relatos dos moradores, os sacos já começaram a ser retirados por um serviço de emergência contratado pela gestão atual há dois dias, mas ainda há muito lixo espalhado pela cidade. Isso fez com que o novo prefeito, Marcelo Belitardo (DEM), decretasse calamidade pública no âmbito da limpeza. Toda situação pode favorecer a ocorrência de doenças como febre tifoide, leptospirose e cólera. A reportagem do Correio tentou contato por telefone com Yuri Fernandes, vice-prefeito da cidade, sem sucesso. Ao G1, o prefeito Marcelo Belitardo contou que optou por fazer um contrato de emergência com uma empresa para regularizar a coleta do lixo em Teixeira. Disse ainda que abriu uma investigação administrativa e criou uma comissão para avaliar o motivo do serviço da empresa que atuava no município ter sido interrompido antes do prazo, desobedecendo a uma ordem da Justiça para manter a cidade limpa.

Foto: divulgação