JORNAL A TARDE – ARMANDO AVENA: A  VACINA E A ECONOMIA

JORNAL A TARDE - ARMANDO AVENA: A  VACINA E A ECONOMIA

O Brasil precisa começar a vacinar sua população imediatamente, não só porque a vida de milhares de pessoas depende disso, mas também porque a economia brasileira  não aguenta mais um semestre de isolamento social e medidas de restrição. Por isso, a Anvisa tem de começar a dar autorizações emergenciais para as vacinas, especialmente aquelas que foram aprovadas por agências de outros países, não importa se seja a União ou os estados os responsáveis pela aplicação.

Se a vacinação não começar logo, o 1º semestre de 2021 estará perdido sob o ponto de vista econômico e isso, aliado ao descontrole de vários indicadores, pode derrubar a economia em 2021.  Não vamos esquecer que a inflação está voltando e vai superar a meta de 4% prevista para 2020, com a  inflação dos alimentos batendo em  12%. E o IGPM, que mede a inflação das matérias-primas, vai chegar a 25%.

Além disso, para rolar sua dívida pública, que já é de 100% do PIB, o Brasil está pagando juros bem maiores do que a Selic, o que significa que o mercado não crê na capacidade do governo de resolver o problema.  Como se não bastasse, o país vai começar o ano atolado na 2ª onda da Covid-19 e sem o auxílio emergencial, que foi o responsável pelo crescimento de 7,7% do PIB no 3º terceiro trimestre.  Além disso, não terá as linhas especiais de crédito, nem  a lei que permitiu a redução de salários e da jornada de trabalho e não haverá espaço fiscal para renovar esse benefícios sem o estouro do teto de gastos.

Para completar, o Ministro da Fazenda parece desprestigiado, promete muito e não entrega nada, e o Presidente da República perdeu seu maior esteio populista, pois a partir de janeiro Donald Trump deixará a Casa Branca e assumirá Joe Biden, cuja vitória, passado mais de um mês, o governo brasileiro ainda não reconheceu. Há, é verdade, sinais positivos no mercado financeiro, com o crescimento do índice Bovespa e a queda na  cotação do dólar, mas esse movimento não sinaliza melhoria nos fundamentos da economia, ele reflete a conjuntura internacional com os países ricos dando início a vacinação e Joe Biden sinalizando que vai reduzir as tensões com a China, estimular a economia e manter os juros baixos.

É isso que está trazendo os investidores externos  e em novembro  bilhões de dólares entraram na bolsa brasileira, justificando a queda do dólar. Mas se persistir o descontrole na política fiscal e o avanço da inflação, a euforia do mercado financeiro vai virar depressão.  Esse cenário já aponta para um  1º semestre muito ruim na saúde e na economia, mas isso pode refluir se a vacina começar a ser aplicada no final de janeiro, trazendo com ela a esperança de que aos poucos a situação voltará ao normal.

                                                  OS HOTÉIS NA PANDEMIA

Os hotéis de Salvador voltaram a receber hóspedes e em novembro a taxa de ocupação média foi de 48%, menor que os 70% do ano passado, mas maior que a taxa verificada nos meses de setembro e outubro, mostrando recuperação no setor. O público que está frequentando os hotéis são em sua maioria de origem local e regional e usam o transporte terrestre para o deslocamento. São pessoas que estão  fugindo do stress da pandemia e o maior fluxo se verifica nos finais de semana em hotéis de lazer. O problema é que a 2ª onda da Covid-19 deve frear um pouco essa recuperação, embora as pessoas estejam ganhando confiança já que os hotéis seguem os protocolos de segurança. As informações são da ABIH-BA.

                                    IMUNE A PANDEMIA

O agronegócio já representa 25% de tudo o que se produz na Bahia. E no 3º trimestre de 2020 cresceu 5,8% em comparação com o mesmo trimestre de 2019. No mesmo período, a economia baiana registrou queda de 4,1%. É como se não houvesse pandemia no campo.  No agronegócio baiano a agropecuária e os insumos utilizados na produção representam 40% do total, o beneficiamento industrial 15% e a parte de comércio e serviços os outros 45%.  Pois bem, todos os segmentos estão crescendo e no 3º trimestre de 2020 essa cadeia produtiva  movimentou R$ 17 bilhões. No ano, a movimentação é da ordem de R$ 65 bilhões. É maior que o PIB total de vários estados brasileiros. Os dados são da SEI.