A ELEIÇÃO DE BIDEN FOI RUIM PARA LULA E PARA BOLSONARO, MAS RUI E NETO FICAM BEM NA FITA

A ELEIÇÃO DE BIDEN FOI RUIM PARA LULA E PARA BOLSONARO, MAS RUI E NETO FICAM BEM NA FITA

A eleição de John Biden para a Presidência dos Estados Unidos tem um componente político importantíssimo e até aqui pouco explorado e que pode ser definido como um balde de água fria na polarização política.

É verdade que a eleição americana mostrou que o país está dividido e se de um lado temos mais de 75 milhões de americanos que votaram em Biden, de outro temos 70 milhões que votaram em Trump, mas essa polarização tende a minguar, afinal, o discurso do presidente eleito mostrou que sua proposta é de união dos americanos e não de divisão e, diz o ditado: quando um não quer dois não brigam.

O presidente Trump vai ficar esperneando e tuitando por algum tempo e vai tentar estimular a polarização, mas será só no primeiro momento. Em primeiro lugar porque Trump não representa uma liderança efetiva nem no país, nem no Partido Republicano, como se pode ver na mensagem de congratulações de George Bush ao presidente eleito, constituindo-se na verdade em um outsider político. Assim, o discurso de estímulo à polarização só vai ter impacto na extrema direita e nos grupelhos que seguem o trumpismo. Isso sem falar na capacidade de negociação de Biden, um homem acostumado a conversar com os republicanos. Para completar, Trump terá de dar atenção à sua vida empresarial, que está descendo ladeira abaixo e aos processos judiciais que se avolumam. Em suma: a polarização que surgiu nos EUA e expandiu-se para outros países tende a minguar.

E isso incluí o Brasil. A eleição de Biden é ruim tanto para Bolsonaro quanto para Lula, pois ambos estavam apostando na polarização que os colocaria frente à frente nas eleições de 2022.  Bolsonaro vai ter de se recriar e a tendência será uma aproximação cada vez maior com o centrão.

Nesse cenário, a eleição presidencial em 2022 tende a deixar para trás a polarização Bolsonaro/Lula ou PT/anti PT e provavelmente vai desaguar em vários candidatos com o perfil de Biden, rejeitando a polarização e propondo a união de todos.  Esse cenário cai como uma luva para as duas principais lideranças políticas da Bahia, Rui Costa e ACM Neto, que vem reiteradamente pregando a união em seus respectivos grupos políticos e focando a gestão mais na qualidade administrativa.

Em suma: Biden vai esfriar o caldeirão da polarizacão. (EP – 09/11/2010)