CAMPANHAS ELEITORAIS PROVOCAM REDUÇÃO DAS MEDIDAS DE COMBATE AO CORONAVÍRUS NA BAHIA

Foto: Divulgação/Prefeita Babi de Prado

Em meio a carreatas e aglomerações provocadas por eventos políticos, devido às eleições de novembro deste ano, cresceu a quantidade de pessoas infectadas pelo coronavírus no interior da Bahia na última semana, de acordo com os boletins epidemiológicos da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab).

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) inclusive notificou pelo menos 21 municípios onde houve descumprimento de regras por candidatos. Carreatas, comícios e qualquer evento de campanha devem ser limitados a 100 pessoas.

Segundo informações do Correio, um exemplo do aumento de casos de covid-19 por conta das campanhas eleitorais é o município de Abaíra, com 9 mil habitantes na Chapada Diamantina A cidade tinha apenas 20 casos da doença confirmados até o sábado (10). Seis dias depois, ocorreu um aumento de quase 200% – 59 pessoas já tinham o diagnóstico positivo. No meio do caminho, houve um evento político que aglomerou eleitores.

Para piorar a situação, o secretário de Saúde do Estado, Fábio Vilas-Boas, acredita que algumas cidades estão se recusando a aplicar testes, com receio do efeito eleitoral negativo que isso poderia causar. “As cidades não estão manifestando e a gente reduziu o volume de testes realizados no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Foi uma redução de 40% da capacidade diária de 5 mil exames por dia”, citou o titular da Sesab.

O Grupo de Trabalho de Enfrentamento do Novo Coronavírus e o Núcleo Eleitoral (Nuel) do MP enviou um ofício à Sesab, na quinta-feira (15), solicitando a lista de municípios que não testando para a covid-19, assim como “todo e qualquer elemento informativo que comprove ou indique a recusa pelos municípios listados”, informou o órgão, por meio de nota.

O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) informou que não tem “poder de polícia” para regular a situação, pois suas interferências estão limitadas às propagandas eleitorais. Já a União dos Municípios da Bahia (UPB-BA) diz não ter conhecimento sobre o assunto, pois a função da entidade é orientar os gestores municipais sobre as determinações e decretos dos governos estadual e federal e autoridades sanitárias. Desde o início da pandemia, segundo a UPB, já foram enviados mais de 800 informes aos governantes.

 

Foto: Divulgação/Prefeita Babi de Prado