COLUNA JORNAL A TARDE – ARMANDO AVENA: OS DESAFIOS DO VAREJO NO PÓS-PANDEMIA

COLUNA JORNAL A TARDE - ARMANDO AVENA: OS DESAFIOS DO VAREJO NO PÓS-PANDEMIA

A economia baiana está retomando as atividades, mas essa retomada não tem sido igual em todos os setores, e as incertezas ainda permanecem. O varejo, por exemplo, registrou um crescimento expressivo em agosto, mas puxado por poucos setores. As vendas de móveis e eletrodomésticos e de material de construção dispararam e devem continuar altas no último trimestre do ano, sendo possível que haja aumento de preços e falta de produto nesses setores.

No entanto, nas concessionárias de automóveis, no ramo de combustíveis e lubrificantes, no setor de vestuário e calçados e outros as vendas continuam caindo. A explicação passa pelo auxílio emergencial, que beneficiou na Bahia mais de seis milhões de pessoas, que destinaram esses recursos para alimentação – mantendo em alta as vendas nos supermercados e atacadões – e para conserto e melhoria de habitações e reposição de eletrodomésticos. Já nos demais setores, embora as atividades estejam retomando, ainda existe um nível de incerteza muito grande, o que faz o consumidor adiar o consumo. É como se, após seis meses de isolamento, o cidadão resolvesse aplicar o dinheiro disponível para garantir casa e comida, esperando a incerteza diminuir para só então comprar outros produtos.

O problema é que, ao que tudo indica, no último trimestre de 2020 as vendas em vários segmentos devem aumentar, mas no 1º trimestre de 2021 a incerteza é total, já que não se sabe se haverá auxílio emergencial, nem se a vacina estará disponível. O presidente da Fecomércio-BA, Carlos Andrade, ressalta que o crescimento no varejo é localizado em alguns ramos e lembra que movimentação maior de pessoas não significa aumento de vendas, pois nos shoppings, que andam cheios, as vendas não passam de 40% das verificadas no ano passado. Andrade lembra também a dificuldade para viabilizar crédito para a pequena e média empresa, pois, segundo ele, embora o programa do governo federal tenha disponibilizado recursos, o dinheiro fica empoçado nos bancos, que, mesmo cobrando uma taxa cinco vezes maior que a Selic, colocam todo tipo de dificuldade para liberar os empréstimos.

Outro aspecto é a necessidade de o governo estadual viabilizar o “refis” – desconto das multas e parcelamento das dívidas –, que, segundo ele, já foi autorizado pelo Confaz – Conselho Nacional de Secretários da Fazenda. E reclama também da TFF – taxa de fiscalização do funcionamento cobrada pela prefeitura de Salvador argumentando: “Como cobrar a taxa, se ficamos seis meses fechados, sem funcionar?”. E conclui: “Esses são pleitos da Fecomércio-BA, CDL e FCDL que estão preocupadas com a pequena e média empresa que está endividada e cheia de incertezas quanto a 2021.

A QUALIFICAÇÃO DA RETOMADA

A retomada da economia não vai se dar de forma generalizada, mas de forma assimétrica, e alguns setores vão se recuperar mais rapidamente que outros. Com viés de alta estão: o agronegócio, que praticamente não foi afetado pela pandemia; a construção civil, com taxa de juros baixíssimas e crédito disponível; o setor de eletrodomésticos e eletrônicos, especialmente a linha branca;  siderurgia, transporte e logística e produtos voltados para a exportação, cujo comprador é a China. Em retomada lenta, em alguns casos registrando queda, estão: produção e venda de veículos, turismo externo (o turismo dentro do próprio estado caminha mais rapidamente), entretenimento, transporte aéreo e eventos.

VIABAHIA

Em visita à Bahia, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, foi cirúrgico. Segundo ele,  a concessionária Via-Bahia, que assumiu em 2009 a principal ligação rodoviária da Bahia e outras rodovias, não vem cumprindo os termos da concessão. Não fez os investimentos previstos, da ordem de R$ 740 milhões, não executou as obras essenciais, nem os 441 quilômetros de duplicação previstos, e as estradas permanecem praticamente no mesmo estado que há 11 anos. Com isso, os motoristas sofrem e os produtos baianos se tornam menos competitivos, pois têm de passar inevitavelmente pela BR-324. É urgente uma ação por parte do governo federal no sentido de retirar a concessão da empresa.

Foto: Divulgação