ELEIÇÃO PARA PREFEITO DE SALVADOR: A ESTRATÉGIA DE RUI COSTA E DE ACM NETO

ELEIÇÃO PARA PREFEITO DE SALVADOR: A ESTRATÉGIA DE RUI COSTA E DE ACM NETO

Os candidatos a Prefeito de Salvador deram a largada nas suas campanhas neste domingo. Será uma eleição diferente sem  aparticipação direta da população por conta do Covid-19, mas nem por isso vai faltar emoção. A seleção dos candidatos que vão disputar a eleição para a Prefeitura de Salvador mostra claramente o peso dos dois maiores líderes políticos da Bahia neste momento: o governador Rui Costa e o Prefeito ACM Neto, ambos com suas administrações muito bem avaliados pela população baiana. Salvador será o palco principal, mas em outras cidades, especialmente as de maior população, o embate entre os dois líderes será também importante para montar o quadro político que vai desaguar nas eleições para governador em 2022.

Em Salvador, o Prefeito ACM Neto saí na frente liderando as pesquisas e colocando todo seu prestígio em um único candidato, Bruno Reis, vice-prefeito na sua gestão. O governador Rui Costa adotou estratégia diferente, apoiando vários candidatos de sua base de apoio e não poderia ser diferente já que na ausência de um nome forte que aglutinasse o apoio político da base, optou por apoiar vários candidatos, forçando a realização do segundo turno. E, diferente daqueles que afirmam a pouca vontade política do govenador, o que se viu foi o contrário: levando em conta as peças políticas de que ele dispunha, montou, secundado pelos senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, e pelo vice-governador João Leão,  a melhor estratégia possível, com um  rol de candidaturas no qual distribuiu sua base de apoio político equitativamente e com precisão.

Assim, no âmbito do PT, ao invés de apostar num dos nomes tradicionais e já desgastados do partido, optou por uma cara nova, a Major Denice, e articulou o apoio do PSB, apostando na sua capacidade de transferir votos. Ao mesmo tempo, cada uma das demais candidaturas as quais vai apoiar, tem a força dos partidos que apoiam a base. O pastor Isidório foi adotado pelo PSD, do Senador Otto Alencar, que indicou a vice Eleusa Coronel, esposa do senador Angelo Coronel. A candidata do PC do B, Olívia Santana, foi adotada pelo PP, do vice-governador João Leão, que colocou Joca Soares, presidente da sigla em Salvador, como vice. E correndo por fora, mas nitidamente assentado na estratégia do governador, está o deputado Bacelar, apostando na capilaridade dos seus candidatos a vereador.

Com essa estratégia, o governador driblou a proibição de coligações na eleição proporcional, deixando que cada grande partido fosse a luta, e, ao mesmo tempo, colocou o pé em cada uma das candidaturas. Se a estratégia vai dar certo ou não é outro problema. O Prefeito ACM Neto faz uma boa administração, tem apoio dos eleitores, preparou seu candidato com esmero e trabalha seu nome há quatro anos, por isso está na frente das pesquisas. A jogada do governador é atrair para um dos seus candidatos os eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco, que são 20% dos eleitores,  e assim forçar o segundo turno. E, se houver segundo turno, tudo muda de figura. (EP- 28/09/2020)

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