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WAGNER DIZ QUE BOLSONARO MUDOU DE DISCURSO COM STF POR MEDO DAS ELEIÇÕES DE 2022

Redação - 13/07/2020 06:55

O senador e ex-governador da Bahia, Jaques Wagner, afirmou, em entrevista ao jornal Tribuna da Bahia, que a mudança de discurso do presidente Jair Bolsonaro em relação ao STF e a outras instituições que ele costumava atacar veio pensando nas eleições de 2022 e na sua popularidade. O senador acredita que ele foi aconselhado por assessores proximos. “A mudança de postura dele decorreu de uma decisão que ele tomou com os seus assessores mais próximos, provavelmente, avaliando, com pesquisas, que a postura dele agressiva o tempo todo causa confusão na cabeça das pessoas sobre a questão da pandemia. E também (avaliando) as repercussões internacionais. A postura dele tem tido com consequências bastante objetivas na área do interesse externo por investimento aqui e até na questão da nossa balança comercial”, disse.

O senador também disse que há uma tentativa hoje de isolar o seu Partido dos Trabalhadores. Para ele, um dos motivos é o “ciúmes” que a sigla provoca entre aliados e adversários. “Alguns querem isolar o PT. Há um movimento claro de tentar isolar o PT. Acho que tem contraposição de um lado e ciúme de outro. Acho gozado que ninguém cobra o PSDB nunca ter saído do governo de São Paulo e oferecido a alguém. Então, o problema é que o PT perturba. Fomos 13 anos e meio governo federal e temos uma marca muito forte. As pessoas querem destruir”, declarou.

Wagner acredita que a pandemia do novo coronavírus e as investigações envolvendo filhos e aliados de Jair Bolsonaro revelaram uma face até então desconhecida por muitos apoiadores do presidente da República. O petista avalia que o negacionismo, a insensibilidade e a falta de capacidade de Bolsonaro de elaborar estratégias para evitar a disseminação da doença não foram bem recebidas por boa parte do seu eleitorado.

“A pandemia de um lado mostrou uma face dele que desiludiu muita gente. Inclusive, na minha opinião, algumas pessoas religiosas que o acompanham. Ele mostrou baixíssimo sentimento de solidariedade ao ser humano. Já estamos batendo na casa dos 70 mil mortes. E ele continua brincando. ‘Toma isso, toma aquilo’. Isso choca as pessoas”, declarou Wagner, em entrevista exclusiva à Tribuna.

O senador avalia que o atual chefe do Palácio do Planalto se viu obrigado a mudar de postura diante da crise institucional e das investigações contra os filhos e aliados. “Estão percebendo que arrumar inimigo, em qualquer lugar, pode parecer interessante para 5% da população, mas no geral é muito ruim. (…) Lá fora a imagem do Brasil foi para o chão. A gente já recebeu carta de investidores, de executivo de empresas grandes… Ele está fora do diapasão”, avalia. Wagner ainda dá um panorama geral sobre a cena política no Brasil e revela visões de mundo. Segundo ele, o PT hoje recebe ataques de campos oposicionistas e, inclusive, ideologicamente alinhados: “O PT é uma estrutura que incomoda”.

Foto: divulgação

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