O Dia da Independência do Brasil na Bahia é comemorado hoje, Dois de Julho, e marcado por atos comemorativos e simbólicos em Salvador que, desta vez, seguem as medidas de isolamento social de prevenção ao contágio pelo coronavírus. No Largo da Lapinha, o acesso está liberado apenas às autoridades civis e militares, além da imprensa. Como resultado, as comemorações serão feitas por meio de uma agenda virtual. O que pode alcançar mais pessoas a compartilharem os atos simbólicos da tradição.
O tradicional hasteamento das bandeiras nacional, estadual e municipal, seguido pela colocação de flores aos heróis da independência, no monumento do General Labatut, ocorrerá em contexto inédito, sem a histórica aglomeração causada pela jornada da Tocha e do Fogo Simbólico, pelos desfiles militares e civis, pelo cortejo dos Caboclos, símbolos máximos da luta do povo contra as tropas lusitanas, derrotadas em 1823.
Memória
De acordo com a historiadora e gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Gabriella Melo, a Festa do 2 de Julho ainda apresenta para a população a luta dos movimentos identitários pela libertação do país.
“O Caboclo, a Cabocla, a constituição dos exércitos. Tudo revela o quanto os negros escravizados e as mulheres lutaram e sangraram para garantir a Independência. É por isso que o Fogo Simbólico percorre diferentes cidades baianas, até chegar para a solenidade da capital”, explica Melo.
Símbolo da luta pela valorização da memória dos heróis populares do 2 de Julho, o renomado professor, escritor e historiador Luís Henrique Dias Tavares morreu morreu, na semana passada, aos 94 anos. Ele foi um dos maiores defensores da tese do papel da Bahia para a consolidação do processo de libertação do Brasil.