Após a prisão de Fabrício Queiroz na manhã de ontem, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou a aliados que o poder Judiciário, representado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), está tentando criar um clima político para tirá-lo da Presidência, segundo relatos ouvidos pelo jornal Folha de S. Paulo. Assessores de Bolsonaro relatam que ele não acredita na coincidência de terem acontecido na mesma semana duas operações, determinadas pelo STF, que miram pessoas ligadas a Bolsonaro ou seus familiares.
Na terça-feira (16), uma operação de mandados de busca e apreensão solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes teve como alvos deputados, empresários e militaristas bolsonaristas. E ontem, Fabrício Queiroz , o ex-assessor de seu filho e senador Flávio Bolsonaro, foi preso. O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) se pronunciou no Twitter, na manhã de ontem, sobre a prisão do ex-assessor, o policial militar aposentado Fabrício Queiroz.
“Encaro com tranquilidade os acontecimentos de hoje. A verdade prevalecerá! Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!”, escreveu. A prisão de Queiroz, feita pela no âmbito das investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que apuram a participação em um esquema desvio dos salários de servidores do gabinete de Flávio na época em que ele era deputado estadual pelo RJ.
Queiroz foi preso no escritório do advogado Frederick Wassef, em Atibaia (SP). Wassef é o defensor do senador e do presidente Jair Bolsonaro. Ele atua no caso do atentado sofrido pelo presidente, na época candidato, em 2018, por Adélio Bispo. O defensor é próximo da família Bolsonaro. Na última quarta-feira (17/6), foi ao evento de posse do novo ministro das Comunicações, o deputado Fábio Faria (PSD-RN), no Palácio do Planalto. Em setembro do ano passado, em entrevista ao canal Globonews, o advogado Wassef afirmou que não sabia onde estava Fabricio Queiroz e que não era o defensor dele.
Flávio vinha mantendo silêncio em relação ao Queiroz. No último dia 26 de maio, no entanto, em uma transmissão ao vivo para responder a afirmações do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), o senador acabou citando o ex-assessor. “Você (Witzel) sabe que foi expulso de carreata onde eu ia. Você ficava ligando para o Queiroz, botava assessor para ligar para ele para saber onde eu tava para ir atrás de mim na campanha, porque sabia que o Queiroz estava do meu lado, trabalhando. Um cara correto, trabalhador, dando sangue por aquilo que ele acredita”, afirmou.
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil