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ASSALTANTE, CAPANGA: PERSONAGENS DE BABU MOSTRAM RACISMO NA TV E NO CINEMA

Redação - 13/03/2020 15:00

Assaltante, bêbado, arrombador, capanga. Esses são alguns dos personagens atribuídos ao ator e cantor Alexandre da Silva Santana, o Babu, em novelas, filmes e séries em que ele trabalhou. Babu, que está no “Big Brother Brasil”, ganhou duas vezes o Prêmio Grande Otelo (melhor ator coadjuvante e melhor ator), um dos mais prestigiados do cinema brasileiro.

A forma como ele foi creditado em grande parte de seus papéis chamou a atenção da internet e levantou o debate sobre como atores negros ainda são postos dentro de estereótipos raciais, mesmo que já tenham alçado certo prestígio na carreira, como é o caso de Babu.

O ator de 40 anos cresceu no Morro do Vidigal, na zona sul carioca, onde deu início à carreira, no Grupo de Teatro Nós do Morro, em 1997. Antes disso, já tinha sido eletricista, faxineiro, pedreiro e havia trabalhado em barracas na praia de Ipanema, também na zona sul, para ajudar a família. Seu primeiro papel na TV foi em 2001, como o personagem José, em Malhação (Globo).

Conhecido principalmente por interpretar Tim Maia na cinebiografia do cantor (2015), ele tem ainda no currículo participações em filmes como “Cidade de Deus” (2002), “Meu Nome Não É Johnny” (2008), “Estômago” (2007) e “Maré – Nossa História de Amor” (2008), além dos recentes “Café com Canela” (2017) e “Praça Paris” (2018). Também tem participações em novelas e séries como “A Grande Família”, “A Diarista”, “Da Cor do Pecado” e “Caminho das Índias”.

Pesquisando essas participações, de fato, não passa despercebido o padrão nos papéis para os quais Babu foi escalado, seja como criminoso ou policial/guarda. Em especial, antes de ele interpretar Tim Maia. Não à toa, o próprio ator já foi questionado sobre a “coincidente” repetição, em entrevista à Globo Filmes.

“Embora tivessem atividades semelhantes, eram personagens com complexidades e aspectos humanos diferentes. Mas isso se deve à nossa sociedade, que vê um bandido ou um policial como um cara alto, truculento, com cara mau e negro. Há uma associação entre a violência e a imagem dos negros e de pessoas dos guetos. Então, tenho o visual perfeito para esses personagens”, afirmou.

A filmografia do ator e cantor tem mais de 60 produções e ainda assim não foi suficiente para garantir a ele estabilidade financeira, considerando que o ator aceitou participar do “BBB” justamente por estar endividado e para ganhar visibilidade, pensando em trabalhos futuros. Um lembrete importante de que o racismo ainda se manifesta de diferentes formas —explícita ou velada— na sociedade brasileira.

*Foto: globoplay

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