O governo Jair Bolsonaro definiu a estratégia de combate ao coronavírus. O plano vai além dos procedimentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e da garantia dos estoques dos produtos necessários para a prevenção e o tratamento dos infectados. Tampouco o Brasil entrará na corrida pelo desenvolvimento de uma vacina ou de um retroviral, onde já há outros países na vanguarda.
O governo decidiu concentrar energia e recursos em preparar a infraestrutura para a produção e distribuição das vacinas ou remédios, quando estes forem descobertos, segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Para ele, está em curso uma corrida para se ter uma forma de identificar rapidamente, via exame da saliva, por exemplo, pessoas que possam estar infectadas pelo coronavírus em portos ou aeroportos.
Em outra pista, há uma disputa para o desenvolvimento e a produção de um retroviral. “A China deve publicar muita coisa, porque eles estão pesquisando isso, provavelmente, muito antes de todo mundo”, comentou o ministro da Saúde, citando uma notícia de que os chineses haviam identificado a proteína pela qual o vírus se liga para entrar no organismo. Se a proteína foi identificada, prosseguiu, o próximo passo será a tentativa de inibi-la. “Assim, ele [vírus] não consegue entrar, que é o retroviral.”
Por fim, a corrida é para se ter logo a maneira mais “eficiente e elegante”, como ele próprio define, de combater um vírus – a vacina. “Essa corrida o mundo todo está envolvido. O Banco Mundial liberou US$ 12 bilhões, os Estados Unidos liberaram US$ 9 bilhões, a comunidade europeia mais alguns bilhões de dólares”, enumerou Mandetta.
“O que nós temos que fazer?”, perguntou o ministro, para ele mesmo responder: “Não adianta colocar nosso pouco recurso de ciência para redundância em cima de um mega laboratório desses. Então, nós temos que estar prontos e fazer pesquisa para saber: qual é o vírus, qual é a cepa que está andando aqui, mapear geneticamente, organizar o perfil biológico do brasileiro para saber como nós respondemos a isso, fazer as pesquisas de fundo e preparar o nosso parque tecnológico para que, na hora que você identificar que existe a possibilidade de vacina, termos a capacidade de produzir.” (Valor Econômico)
Foto: Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados