Uma reunião entre os presidentes da Odebrecht, Ruy Sampaio, e da Petrobras, Roberto Castello Branco, teve como principal tópico a Braskem, companhia petroquímica que os conglomerados mantêm em sociedade, a fim de colocá-la na lista do Novo Mercado — grupo de empresas com capital aberto que mantêm alto de grau de transparência e governança — da Bolsa de Valores de São Paulo, B3.
A migração para essa lista poderia elevar os preços das ações, o que é visto com bons olhos pelas duas sócias. Após concluída essa etapa, as companhias venderão, em grandes lotes, as ações da petroquímica na bolsa.
Anteriormente, o plano original, desenhado pela Odebrecht no ano passado, era recuperar o seu valor de mercado e vendê-la em até 36 meses para, com dinheiro na mão, pagar aos credores. O plano proposto pela Petrobras, divulgado inicialmente pelo Valor Econômico e confirmado por VEJA, fez a empresa se valorizar mais de 6% no pregão de segunda-feira, 3.
Ao longo de todo o ano passado, o valor de mercado da companhia chegou a despencar 40%. A lucratividade caiu dos 2,9 bilhões de reais, registrados entre janeiro e setembro de 2018, para 124 milhões de reais no mesmo período de 2019.
A Braskem é uma das únicas empresas saudáveis do grupo Odebrecht. As ações da empresa dão garantia às dívidas que o conglomerado mantém com cinco dos principais bancos do país — Bradesco, Santander, Itaú, Banco do Brasil e BNDES. A única instituição bancária credora do grupo que não tem ações da petroquímica é a Caixa, responsável pelo pedido de execução de dívida que culminou no processo de recuperação judicial da empresa, em junho.
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