O ano de 2020 começa sob o signo do crescimento econômico, mas, diferente de outros ciclos, nos quais o incentivo governamental era quem estimulava a retomada do crescimento, agora essa função está com o setor privado. O varejo, por exemplo, um dos principais segmentos da economia baiana, deve retomar os negócios em 2020 e são boas as expectativas de crescimento, já que, a medida que os setores como a construção civil, o turismo e o agronegócio estão investindo e ampliando os negócios, o desemprego deve cair e as vendas tendem a aumentar.
E, no entanto, o varejo começou o ano sob o signo da polêmica. Assim, enquanto a Associação de Lojistas de Shoppings veio a público dizer que as vendas no Natal cresceram 7,5%, a Associação Brasileira de Lojistas Satélites, que representam as lojas menores de 180 m2 nos shoppings, afirmam que o crescimento nas vendas foi zero ou até menor do que no Natal de 2019. Ora, nem tanto ao céu, nem tanto a terra! Provavelmente as vendas no Natal não cresceram tanto, mas tampouco ficaram estagnadas e é a pesquisa mensal do IBGE que vai informar o número correto, mas a estimativa indica um crescimento de 4%, pouco mais ou menos.
Na verdade, o que ocorre é que os administradores de shoppings centers, que controlam muitas associações, puxam o desempenho das vendas para cima, de modo a justificar a imposição de custos cada vez mais altos para os lojistas, e estes, principalmente os de pequeno porte, que sofrem há três anos com uma brutal recessão, afirmam o contrário na vã esperança não ter esses custos ampliados. É um jogo de perde/perde, onde o maior perdedor é o próprio comércio físico que a cada dia cede mais espaço ao comércio virtual. Na verdade, as administradoras de shoppings deveriam trabalhar em conjunto com os lojistas, para ganhar com o aumento nas vendas e não com o reajuste absurdo de aluguéis e taxas. Aliás, isso já é feito em alguns shoppings da Bahia, especialmente no Shopping Barra, onde a administração e os lojistas se unem, discutindo posições, realizando eventos e promoções, num típico jogo de ganha/ ganha.
O mesmo pode-se se dizer da luta inglória do varejo contra o excesso de feriados. O setor tem razão ao dizer que o excesso de feriados e os “enforcamentos” de dias úteis causam prejuízo ao varejo e já sabemos que as vendas serão reduzidas em milhões e milhões. Mas essa ladainha é inútil e não tem futuro já que os feriados beneficiam sobremaneira outros setores, como o turismo e os serviços, gerando igualmente emprego e renda. Assim, ao invés de pedir providencias inexequíveis ao poder público como, por exemplo, eliminar feriados ou fazer que todos caiam na segunda-feira, o que o varejo precisa é ir à luta e ser criativo, realizando promoções, eventos e liquidações nesses período.
Assim como um shopping em Salvador fez seu próprio réveillon, puxando a festa para dentro de suas instalações, um supermercado pode reduzir preços no feriado e um shopping center promover o show de um cantor famoso. No novo ciclo econômico que se desenha para o Brasil, não se pode contar com o poder público para enfrentar a competição, o caminho é ser capitalista e criativo e, quando necessário, fazer do limão uma limonada.
TURISMO ARGENTINO
Cerca de 2,7 milhões de argentinos vieram ao Brasil em 2019. Desse total, aproximadamente 250 mil aportaram na Bahia. Os voos diretos entre Salvador e Buenos Aires foram fundamentais para atrair os portenhos, mas muitos deles entraram por outras cidades e depois chegaram à Bahia. Por isso é fundamental, além da divulgação do destino Bahia, criar incentivos e facilidades para atrair para cá o turista que entrou pelo Sul ou pelo Rio de Janeiro. E se outras companhias de low cost aportarem por aqui o número de turistas argentinos pode dobrar. O mesmo pode acontecer com os turistas chilenos e 30 mil deles já vieram à Bahia no ano passado, mas com os novos voos diretos esse número pode triplicar.