O que um dia já foi uma única fazenda, hoje é o bairro mais procurado de Salvador quando o assunto é compra de imóveis. Um levantamento feito pelo portal imobiliário ZAP analisou dados deste ano e coloca o bairro no primeiro lugar do ranking das dez localidades mais procuradas por quem quer comprar um novo imóvel.
Os motivos que tornam a região a primeira opção de muitos são unanimidade entre corretores e moradores. Quem mora por lá quer, sobretudo, praticidade. Ter por perto os principais serviços necessários no dia a dia torna a vida no bairro mais cômoda. Brotas e Rio Vermelho completam o trio de campeões das áreas mais procuradas.
A servidora aposentada Dalva Leite, 67 anos, busca justamente a praticidade. Natural de Feira de Santana, ela veio para Salvador em 1991 e nesses 28 anos nunca pensou em morar em outro lugar. “Quando cheguei, a Pituba já tinha uma boa referência. Como me mudei para que minhas filhas estudassem em um colégio melhor, escolhi a Pituba para morar perto das melhores escolas”, conta.
Nesses 28 anos, Dalva já se mudou três vezes, sem nunca sair do bairro. A última mudança ainda está sendo concluída, mas na hora de procurar um apartamento maior, a primeira exigência foi se manter na Pituba. “Não penso em sair daqui de jeito nenhum. Minha vida está toda organizada por aqui. Tenho tudo que preciso: farmácias, clínicas, fisioterapia, tudo perto”, detalhou.
Reunir todos os serviços essenciais em uma área próxima é, segundo os profissionais, o principal motivo que faz com que a Pituba esteja no topo do ranking. “Um bairro se torna muito atrativo pelo que ele tem. A Pituba é uma mini Salvador, concentra tudo de legal da cidade por um preço mais acessível para uma parte da população”, avalia Deborah Seabra, economista do grupo ZAP, que realizou o levantamento.
Para chegar aos dez bairros mais procurados, o grupo avaliou os dados de busca dos dois principais portais imobiliários do grupo: Zap Móveis e Vila Real que registram buscas tanto para aluguel quanto para compra de imóveis. Segundo a economista, a Pituba se torna atrativa por reunir, além das atrações, um valor mais acessível do que outras localidades parecidas. “Existe isso tudo em outros lugares, bairros, mas a preços bem mais altos”, explica.
Por conta da procura, segundo os corretores, vender um imóvel na Pituba pode ser um pouco mais fácil. “Se o imóvel estiver sendo vendido pelo valor de mercado, com um ou dois meses no máximo, o proprietário consegue vender”, explica o corretor Marcos Vasconcelos. O profissional conta que em outros bairros, como Patamares, uma venda pode demorar pelo menos seis meses para se concretizar.
“A Pituba virou um bairro central da cidade. É um processo de ascensão que já vem acontecendo há um tempo, de forma natural. Conta muito, além de uma ótima infraestrutura, o fato de ser um bairro relativamente plano”, comentou o corretor José Alberto Vasconcelos, diretor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-Ba). O próprio José aproveitou o crescimento do bairro para escolher onde fixar a sede da sua empresa. “Eu funcionava no Rio Vermelho, mas via a Pituba crescendo, então resolvi investir e ter a minha sede própria por aqui”, comentou ele, que fez a mudança ainda em 1984.
Com vasta experiência no ramo, Alberto destaca detalhes da história do bairro que acabaram ajudando na transformação da região. “Foi por volta dos anos 80 que a Pituba começou a crescer. Historicamente era uma fazenda loteada, com uma residência por lote, era uma região com muitas casas. Quando foi autorizada a verticalização da região, era para onde a cidade podia crescer”, conta ele.
Quem acompanhou um pouco esse início de crescimento foi a advogada e servidora pública Geysa Mendes, 55 anos, que comprou um apartamento na região em 1988, e desde então, nunca se mudou. “Comprei o meu apartamento na planta, em uma rua deserta com uma ribanceira na frente. Eu, em pânico, meu marido adorando ficar escondido e, dois anos depois, quando mudamos, estávamos cercados de construções em volta. Hoje, somos o burburinho da Pituba, e eu continuo feliz”, lembrou.
Foto: Marina Silva/Correio