PABLLO VITTAR COMENTA BOICOTE EM RÁDIOS BRASILEIRAS

PABLLO VITTAR COMENTA BOICOTE EM RÁDIOS BRASILEIRAS

O meme “foi longe demais” já é batido, mas a afirmação nunca fez tanto sentido. Uma semana depois de marcar a história sendo a primeira drag queen a levar um prêmio e performar no Europe Music Awards, premiação da MTV europeia, Pabllo tem planos ainda maiores. Em conversa exclusiva à Vogue, a artista de 25 anos contou qual é o seu maior sonho na carreira. “Quero ganhar um Grammy e vou trabalhar para isso”, diz empolgada durante a gravação do “Youtube Music Convida”.

Parte dessa euforia ainda vem da emoção de ter participado da tradicional premiação da MTV, que aconteceu na Espanha. “Lembro de várias cantoras que eu gosto performando lá e é muito doido se imaginar lá, realizar esse sonho e ainda ganhar um prêmio. Toda vez que eu falo eu fico emocionada, sonhos de uma gay se realizando.”

Pabllo também detém o título de a drag mais seguida do mundo nas redes sociais, a brasileira que cantou nas maiores paradas gays dos Estados Unidos deste ano, mas no Brasil a artista ainda enfrenta problemas por ser LGBTQ+. Produtor musical de vários hits da cantora, Rodrigo Gorky desabafou essa semana no Twitter contando que rádios de vários lugares do país boicotam a música da cantora. “Não tocam nem pagando”, escreveu.

Os fãs ainda denunciaram que recebem respostas homofóbicas quando mandam mensagens para os números das emissoras. “Não tocamos Pabllo Vittar por aqui […] Porque não sabemos se ele é homem ou mulher”, respondeu a equipe de uma rádio catarinense sobre o pedido do fã. Com tristeza nos olhos, Pabllo falou pela primeira vez sobre a situação.

“Fico muito triste com as gatinhas que não tocam nossas músicas, mas mais ainda com as mensagens homofóbicas que meus fãs recebem quando mandam mensagem pedindo música. São mensagens sem respeito nenhum, espero que as pessoas se conscientizem e olhem para nós artistas LGBTQ+ como pessoas de verdade, não só como pessoas nichadas.”

E se o caminho é difícil, Pabllo agradece as oportunidades que tem tido para superar o preconceito que ainda existe fora da comunidade. “Amo que a gente está alcançando espaços que jamais imaginei na minha vida. Eu lá no meu bairro superafeminada e agora ganhando prêmio, indo para festivais. E acho mais incrível ainda quando vejo outras drags alcançando esses espaços, torço muito por elas. Agora tem outras minorias que sonhavam em ter um lugar que estão chegando lá. Se você persiste e tem pessoas que te apoiam, as coisas vão acontecer.”

*Foto: Reprodução – Instagram