Ju Colombo tem colhido os frutos dos anos de luta pela maior representatividade negra na TV. No ar como a diretora do Colégio Dias Gomes em Bom Sucesso e em em breve como Das Dores, no seriado As Five, spin off de Malhação – Viva a Diferença, a atriz se lembra que o cenário era bem diferente quando começou sua carreira, 36 anos atrás.
“Me lembro que os papéis destinados às atrizes negras eram de empregadas, escravas ou serviçais, que não participam da trama central. Não eram personagens importantes na dramaturgia. As histórias nas quais os personagens ‘poderiam’ ser feitas por atores negros, eram sempre as mesmas: escravidão, sofrimento, desvalor e a não inteligência. Um absurdo! Como se na vida real não existisses médicos, cientistas, empresárias e até negros em classes socioeconômicas elevadas. Esta tem sido a mudança mais drástica e a novela Bom Sucesso mostra essa nova realidade”, relembra.
“Sem dúvidas, construímos uma condição de nós inserir neste mercado. Fomos persistentes e determinados. A força necessária para criarmos oportunidades, aliada a um mercado que acabou se encurralando, tanto pelo fenômeno das redes sociais, como pelo avanço tecnológico e a competição do mercado, fazendo com que a indústria audiovisual tivesse que abrir novas possibilidades. O público necessita de outras demandas. Esse conjunto de fatores leva a uma evolução nas possibilidades artísticas que temos atualmente”, avalia.
Apesar de celebrar as conquistas, Ju ressalta que ainda há muito a ser feito ainda. “Falta muito ainda! Mas é fato que abrimos portas e essas não se fecham mais! Em paralelo, seguimos com nossas produções independentes e esse setor está se solidificando cada vez mais. Como atrizes negras, o que precisamos é de oportunidades”, ressalta ela, que sonha em conquistar o mundo. “Quero ganhar um Oscar e ver o nome Ju Colombo em todas as telas.”
Em paralelo à sua carreira de atriz, Ju coordena há 25 anos uma equipe de arte-educadores que ministram oficinas para capacitação de educadores da rede pública.
“É uma missão bastante desafiadora, estimular os educadores a ter esperança, neste cenário atual. Isso porque, apesar do valor absoluto de um professor, existem muitas circunstâncias desfavoráveis que justificam a falta de crença no próprio potencial. Então nosso trabalho, feito com base nos princípios da filosofia budista da Soka Gakkai, tem o objetivo de estimular os educadores a usar a criatividade e desenvolverem projetos que produzam alegria durante o processo, tanto neles como nos educandos. Usamos a arte como meio, porque a arte, assim como a espiritualidade, manifestam nossas qualidades como seres humanos”, explica.
*Foto: Reprodução – Divulgação