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FROTA DIZ QUE ASSESSORES COMANDAM MILÍCIAS DIGITAIS

Redação - 31/10/2019 11:39

Em depoimento à CPI das Fake News, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) afirmou que assessores ligados à Presidência da República comandam “milícias digitais” e controlam “perfis falsos em excesso”. A passagem do tucano na comissão foi tumultuada e marcada por discussões entre ele e deputados do PSL, seu antigo partido.

“O Planalto virou o porto seguro de terroristas digitais”, afirmou Frota. Frota é o primeiro dos ex-aliados do presidente Jair Bolsonaro a depor na comissão criada para investigar a disseminação de notícias falsas nas eleições de 2018. De acordo com o deputado do PSDB, os filhos do presidente controlam uma rede usada para atacar adversários do presidente.

Questionado pela relatora da CPI, a deputada Lídice da Mata (PSB-SP), o deputado citou os nomes dos assessores especiais da Presidência Tercio Arnaud Tomaz, José Matheus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz, como sendo integrantes do chamado “gabinete do ódio”. O grupo é próximo ao presidente e atua nas redes sociais da Presidência. Os três também irão depor na CPI em data ainda não definida.

“Vossa excelência confirma a existência de um grupo de trabalho no governo federal, no gabinete da Presidência da República, a formação de um grupo de trabalho com o objetivo de disseminar o ódio, por tanto, recebendo recursos públicos salariais para este fim?”, questionou a relatora. “Confirmo. É um gabinete onde três pessoas trabalham ou até um pouco mais”, afirmou Frota. De acordo com Frota, a atuação da “milícia digital” está sob o comando do filho do presidente Carlos Bolsonaro, vereador pelo PSC no Rio. O deputado disse que presenciou mais de um momento em que o vereador fala com o pai sobre a atuação nas redes sociais.

“Presenciei Carlos discutindo o impulsionamento de postagens com Bolsonaro”, afirmou Frota. O deputado Alexandre Frota disse ainda que o próprio presidente Jair Bolsonaro pediu a ele que não falasse sobre as investigações envolvendo Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente. De acordo com relato do parlamentar tucano, Bolsonaro pegou ele pelo braço em uma reunião no Planalto e disse “cala essa matraca, p…!”, em referência a discursos feitos por ele no Plenário da Câmara.

Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

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