O procurador regional Blal Dalloul , um dos três candidatos mais votados por procuradores do Ministério Público Federal (MPF) para integrar a lista tríplice de candidatos a PGR, afirmou que, ao escolher o subprocurador-geral Augusto Aras para o cargo, o presidente Jair Bolsonaro deu a todos uma “caixa-preta” de presente.
Segundo ele, já era provável que a escolha se desse fora da lista tríplice, ainda que o Ministério Público Federal fizesse campanha para o contrário. “O problema é que nós não conhecemos o doutor Augusto Aras como PGR. Temos uma institução em que os indicados para esse cargo têm um caminho construído, tijolo a tijolo. Ele não se apresentou internamente, se apresentou externamente para os políticos.”
Para ele, a indicação é claramente política . “Nós esperávamos que ficássemos tristes apenas por ser alguém fora da lista, mas que fosse alguém pelo menos mais dentro da realidade do MPF”, diz. “O doutor Augusto Aras é uma caixa-preta, e uma caixa-preta para o MPF é um retrocesso.”
A indicação de Aras agora será enviada ao Senado para que ele seja sabatinado, e a instituição aprove sua nomeação. A sabatina ocorre na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), durante a qual os candidatos são questionados sobre suas posições jurídicas. O nome precisa ser aprovado tanto na CCJ como no plenário do Senado — até hoje nunca houve uma rejeição de nome indicado pelo presidente da República.
Aras será o primeiro chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) desde 2003 a comandar a instituição sem ter integrado a lista tríplice. Ele inclusive criticava o instrumento, dizendo que ele representava interesses corporativistas da categoria.