Faz pouco tempo que Aline Fanju deu à luz sua primeira filha e ela não consegue esconder o sorriso largo no rosto. A atriz conta que o parto de Teresa foi muito tranquilo, mas faz um discurso contra a glamourização da maternidade em que dizem que tudo é um verdadeiro mar de rosas.
“Isso é uma violência contra a mulher. Essa glamourização de puerpérios assépticos e descansados. Mães de corpos perfeitos no pós-parto é um desserviço! É inalcançável, portanto oprime e deprime. A mulher é mais uma vez cobrada e exigida na sociedade e não deveria postar representações desse tipo, por mais que esteja sendo fácil para elas. As mães precisam ser acolhidas. É preciso sororidade, empatia”, brada.
Contudo, Aline afirma que sua experiência na hora do parto foi uma verdadeira catarse, um momento de tantas fases em algumas horas antes de dar à luz. Ela lembra que ficou em uma espécie de transe por duas horas e, quando percebeu, parecia que tinha passado apenas 20 minutos.
“Tanta vivência que penso que não elaborei ainda direito. Senti uma dor que nunca senti antes parecida e, ao mesmo tempo, uma força e determinação imensuráveis. De repente, o que até então era uma barriga que eu alisava, uns chutes que eu levava na costela e uma imagem distorcida de ultrassom virou uma pessoa minúscula nos meus braços e eu exausta aos prantos, de cócoras, com o rosto todo pipocado de tanta força que fiz me senti a mais fêmea de todas as fêmeas… bicho mesmo! Em 5 segundos passei o olho pela Teresa, instintivamente, conferindo se ela estava bem. A cheirei, a beijei e dei de mamar imediatamente. Meu olho enche de água agora de relembrar”, narra.
Em uma palavra, seu primeiro mês no papel de mãe tem sido “cansativo”, mas ela acredita que tem se saído muito bem. Ela afirma que nunca havia trocado uma fralda sequer, muito menos dado banho em um recém-nascido. “Fui aprendendo aos poucos, rindo da minha inexperiência. Bebês choram mesmo e bastante! Pode ser bem desesperador, mas tenho conseguido manter a calma e tentando entender o que minha filha precisa de mim! Às vezes me angustio, choro, mas me perdoo. Não é fácil. E olha que tenho uma rede muito boa. A gente precisa se perdoar”, reflete.(Marie Claire)