Clubes brasileiros não confiam no sistema Comet, o software utilizado pela Conmebol para registro de atletas e arquivamento de súmulas. O Santos se baseou no Comet para colocar em campo o meia Carlos Sánchez contra o Independiente, na última terça, pela Libertadores, e agora corre o risco de ser punido pela suposta escalação irregular do uruguaio.
O GloboEsporte.com consultou dirigentes de equipes que disputam a Libertadores e a Copa Sul-Americana. Eles afirmam não considerar as informações do Comet como definitivas e que, por isso, via de regra, fazem consultas documentadas à Conmebol quando há dúvidas sobre as condições de jogadores.
O Cruzeiro, por exemplo, tomou essa atitude duas vezes nesta temporada. No começo do ano, tirou Léo e Edilson da estreia do time na Libertadores, contra o Racing, ao ser informado pela confederação, no dia do jogo, que eles tinham uma suspensão a cumprir. Recentemente, o Cruzeiro voltou a enviar um ofício à entidade para ter certeza de que o atacante Barcos, inscrito para as oitavas de final do torneio, não tinha nenhuma punição pendente.
– Todas as dúvidas que o clube tem em relação à condição dos jogadores fazemos uma consulta direta à Conmebol ou à CBF, independentemente do que diz o sistema – afirmou o gerente de futebol do Cruzeiro, Marcone Barbosa.
Rival do Cruzeiro, o Atlético-MG também informou que usa o sistema, mas, sempre em caso de dúvida, consulta a Conmebol para deixar documentado qualquer resposta da Confederação. Qualquer ofício enviado tem que ser respondido. Só a partir daí o clube usa ou não o jogador.
Dirigentes de outros três clubes da Série A também foram ouvidos, mas concordaram em se manifestar apenas sob anonimato – por entenderem que não seria ético comentar sobre o caso do Santos em específico. Segundo essas pessoas, o padrão é sempre oficiar à Conmebol por escrito e nunca considerar o Comet como única fonte.
O Santos confiou no Comet, que apontava, na interpretação do clube, que Sánchez não tinha mais qualquer suspensão a cumprir nos torneios da Conmebol. Na opinião do nosso blogueiro especialista em assuntos jurídicos, José Eduardo Junqueira Ferraz, o Santos “foi induzido ao erro pelo sistema e não poderia pagar por isso”.