ARMANDO AVENA – A VOLTA DA ODEBRECHT

 

Nos seus 74 anos de existência, a Odebrecht sempre teve um papel de destaque na economia baiana. Na Bahia, a empresa foi responsável por mais de 800 projetos e basta andar por Salvador para ver que muitas das obras que caracterizam nossa cidade foram realizadas pela companhia fundada por Norberto Odebrecht. O Teatro Castro Alves, o terminal de Ferry Boat, o Shopping Iguatemi, a Estação Rodoviária, o Hospital das Clinicas e o Sagrada Família, o aeroporto de Salvador, o emissário submarino, a estação de água da Bolandeira são apenas algumas das 440 obras da empresa na cidade.

E, além do papel de destaque na construção civil, a Odebrecht liderou e ainda lidera a petroquímica baiana, através da Braskem, atua no setor industrial e agrícola e construiu e opera alguns dos principais corredores de transporte da nossa economia, como o Sistema BA 093 de rodovias, a Estrada do Coco e a Via Metropolitana de Lauro de Freitas, ora em construção.  Por estar tão presente na vida do nosso Estado e de sua capital, o envolvimento da empresa nos diversos casos de corrupção denunciados pela Operação Lava-Jato atingiu diretamente a economia baiana e a expectativa é que a empresa, após reconhecer seus erros e pagar por eles,  possa estabelecer um novo tipo de governança e volte a atuar na Bahia, agora sob a égide da transparência e da ética.

Isso é importante porque a Odebrecht ainda é a principal empresa privada do Estado, controla a maior empresa industrial baiana, emprega 79 mil funcionários no país e tem dezenas de obras e negócios na Bahia e no Nordeste. Pois bem, essa expectativa está se concretizando e, nesse momento, após dois anos de completa reformulação nas suas estruturas, com foco na reconstrução de sua governança e na criação de mecanismos para evitar e punir qualquer tipo de corrupção, está surgindo uma nova Odebrecht.

O marco definitivo nessa nova governança da empresa foi a profissionalização de sua gestão que culminou, no final de abril, com a saída de Emílio Odebrecht da presidência do conselho de administração da companhia, que agora será composto por nove conselheiros, sendo seis independentes e apenas três indicados pela família, mas sem vínculo de parentesco.  Mas outras medidas foram fundamentais para dar cara nova a Odebrecht, a exemplo da implantação de um Sistema de Conformidade (compliance) e de um Conselho Global com membros independentes responsável por fiscalizar as ações da empresa; do estabelecimento de um sde monitoria nos negócios e de um sistema em que os conselheiros são independentes e os gestores responsabilizam-se pela gestão e por sua transparência.

O fato é que, após o dramático processo pelo qual passou, a Odebrecht está de volta, já conquistou novos contratos, como o de Furnas, e fez novos acordos na América Latina; publicou demonstrações contábeis reais; está avançando no acordo com a CGU – Controladoria Geral da União e em breve deverá voltar a prestar serviços à Petrobras. Além disso, está buscando se capitalizar, viabilizando um financiamento de US$ 2,5 bilhões junto ao sistema bancário, o que deve viabilizar o pagamento de R$ 500 milhões rm bonds vencidos em abril.

A Odebrecht ainda precisa dar alguns passos importantes, mas já está de volta ao mercado, profissionalizando a gestão, fiscalizando os negócios e exigindo transparência nos fornecedores e contratantes.  Esse é o caminho e se estabelecer o primado da atuação ética, íntegra e transparente, como está se propondo, a Odebrecht voltará a ser a grande empresa que sempre foi e isso será bom para a Bahia e para o Brasil.

                                  O MERCADO DE TRABALHO NA BAHIA

A economia baiana está voltando a crescer ainda que lentamente, e isso já se reflete no aumento das contratações no mercado formal de emprego. No primeiro trimestre de 2018, a Bahia criou 11 mil novos empregos com carteira assinada, enquanto no mesmo período de 2017 foram eliminados quase 5 mil empregos. Em Salvador, enquanto em 2017 foram eliminados 5,7 mil empregos no primeiro trimestre, em 2018 foram criadas cerca de mil novas vagas. Todos os setores da economia, com exceção do comércio varejista, estão voltando a contratar com destaque para o setor serviços, que ampliou em mais de 6 mil vagas os empregos formais e para a construção civil que criou 2,5 mil novas vagas com carteira assinada em 2018, demonstrando que o setor voltou a investir.

Só para se ter um parâmetro de comparação no ano passado, até março, o setor da construção civil já havia demitido 5 mil pessoas. A indústria baiana passa por um problema estrutural por conta da redução na produção da RLAM e de outros setores, mas vem mantendo saldos positivos na geração empregos e o emprego na agropecuária continua crescendo. Na Bahia, apenas o comércio vem mantendo o ritmo de eliminação de empregos com carteira assinada e no primeiro trimestre deste ano eliminou cerca de 3 mil empregos. A explicação é simples: o comércio demite o contingente contratado temporariamente nas festas de fim de ano. O emprego no comércio baiano deve crescer a partir deste mês de maio, considerado a melhor data depois do Natal.Os dados são do Caged.

                                         O PODER DOS EX-PRESIDENTES

Nos Estados Unidos, o político que chegou a Presidência da República é alijado da vida política e não pode se candidatar nenhum cargo, logo após o fim do seu mandato, seja ele reeleito ou não. É uma forma de evitar crises e de impedir que esses políticos que chegaram ao topo do poder tentem voltar a ele e passem a influenciar com sua força o espectro político do país. Já no Brasil o político que chega a Presidência da República não consegue desencarnar do poder que o cargo lhe confere e segue influenciando na política e querendo ser presidente, senador, presidente de partido e por aí vai. Foi assim com Sarney, Collor de Mello, Fernando Henrique, Lula e Dilma. Talvez, se soubessem que não mais exerceriam a política, nossos ex-presidentes se dedicassem mais ao país e menos aos seus interesses pessoais e partidários.

                                     POBREZA NO NORDESTE E NA BAHIA

Cerca de 6 milhões de pessoas vivem em pobreza extrema no Nordeste. E a pobreza aumentou 11% entre 2016 e 2017. Pobreza extrema é quando uma pessoa tem renda familiar per capita inferior a 1,9 dólares por dia. Na Bahia, em 2017, 1,9 milhão de pessoas estavam nesse estrato de renda. Em Salvador, 331 mil pessoas vivem com esse rendimento. A recessão em 2016 fez a pobreza extrema aumentar 25% no interior da Bahia e 16% na capital. Os dados são de um estudo da LCA Consultores realizado a pedido do jornal Valor Econômico e mostram o que todos já sabiam: a pobreza é imensa no Nordeste e fica maior ainda quando há recessão.

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