Devoto de São Jorge, o soldado romano que, segundo a lenda, suportou grandes torturas e derrotou até um dragão, o peso-pesado Junior Cigano teve motivos de sobra para celebrar o dia 23 de abril, dia do “Santo Guerreiro”. Foi nessa data que ele recebeu a notícia de que o processo que o investigava por suspeita de doping por uso de hidroclorotiazida (uma substância diurética) havia chegado ao fim. A investigação foi gerenciada pela USADA (agência que controla o programa antidopagem do UFC), que entendeu que Cigano havia ingerido a substância de forma inconsciente: um suplemento que ele adquiriu em uma farmácia de manipulação no Brasil estava contaminado com fragmentos do diurético.
Por ter colaborado com as investigações, que envolviam uma farmácia de manipulação de credibilidade, o brasileiro recebeu pena reduzida de seis meses de suspensão e já está apto a voltar a lutar. Além dele, outros dois brasileiros (Rogério Minotouro e Marcos Pezão) também passaram pelo mesmo problema com farmácias brasileiras. O processo todo levou nove meses para ser concluído, e Cigano não vê a hora de deixar toda a frustração para trás e focar em seu retorno ao octógono.
“Eu pedi muito a São Jorge que me ajudasse com essa situação. O que eu quero, de verdade, é voltar a competir (…). Coloque um próximo adversário pra mim, me dá dois meses que eu já posso lutar. Não estou escolhendo nada! Quero voltar a lutar, quero voltar a competir, fazer as coisas acontecerem novamente, até porque eu tenho pressa”, declarou o peso-pesado, que não luta desde maio de 2017 e tem um cartel de 18 vitórias e cinco derrotas.
No bate-papo, Cigano aproveitou para analisar a categoria dos pesos-pesados, e elegeu o russo Alexander Volkov como um provável adversário para a sua próxima luta. “Eu já tinha fechado uma próxima luta quando recebi a notícia, que seria com o Ngannou. Poderia ser uma opção, mas acho que ele já marcou luta. Tem o Overeem, que seria uma revanche, acho que ele já marcou luta, mas também acho que ele não aceitaria lutar comigo, que eu sei… Teria, sei lá, o Werd… não, nem tem. Esse não aceita… Mas acho que o Volkov, o que lutou com ele é o cara que eu tô vendo de fora, é um cara que está vindo muito bem e que está sem luta ainda, ou seja: é o perfeito casamento. Eu sei que ele quer lutar pelo cinturão, então eu vou trazer essa sensação pra ele do que é lutar pelo cinturão”.